quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Traduções fantásticas - 1
Sob o risco de transformar definitivamente este lugar num aglomerado de parvoíces que só interessam mesmo a mim, inicio aqui uma nova rúbrica sobre algo que me faz rir como uma totó. Ossos do ofício.
Trata-se de traduções, como dizer? ... erradas, daquelas que acertam mesmo ao lado, e que muitas vezes passam despercebidas ao comum dos mortais, normalmente desatento a estes detalhes e preocupado com coisas mais essenciais. Mas a mim, elas deliciam-me os ouvidos e olhos de mulher das línguas (salvo seja).
Pergunto-me muitas vezes se o tradutor era mesmo mau, se estava distraído ou se, na verdade, por detrás daquela pérola está um artista não reconhecido, que pega numa frase desinteressante e transforma um contexto normal numa obra-prima do insólito.
E começo com uma frase de um filme que vi há muitos anos, e que finalmente tenho a oportunidade de registar (yay!):
Numa cena romantica, o casal pega em duas taças de champanhe. Estão de frente um para o outro, olhos nos olhos.
E então ele diz para ela: Let's make a toast.
Legenda: Vamos fazer uma torrada.
Claro! Estou apaixonado por ti, quero pedir-te em casamento. Isto tem que ser comemorado. Pousa lá o copo e vamos ali à cozinha fazer uma torrada.
Trata-se de traduções, como dizer? ... erradas, daquelas que acertam mesmo ao lado, e que muitas vezes passam despercebidas ao comum dos mortais, normalmente desatento a estes detalhes e preocupado com coisas mais essenciais. Mas a mim, elas deliciam-me os ouvidos e olhos de mulher das línguas (salvo seja).
Pergunto-me muitas vezes se o tradutor era mesmo mau, se estava distraído ou se, na verdade, por detrás daquela pérola está um artista não reconhecido, que pega numa frase desinteressante e transforma um contexto normal numa obra-prima do insólito.
E começo com uma frase de um filme que vi há muitos anos, e que finalmente tenho a oportunidade de registar (yay!):
Numa cena romantica, o casal pega em duas taças de champanhe. Estão de frente um para o outro, olhos nos olhos.
E então ele diz para ela: Let's make a toast.
Legenda: Vamos fazer uma torrada.
Claro! Estou apaixonado por ti, quero pedir-te em casamento. Isto tem que ser comemorado. Pousa lá o copo e vamos ali à cozinha fazer uma torrada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Pronto. Não resisti e inscrevi-me no facebook.
Mas, desconfiada como sou com estas coisas, utilizei uma espécie de nome de código. Resultado: todos os amigos que contacto não acreditam que sou eu. Em compensação, recebo diariamente mensagens de pessoas que não conheço e que querem ser minhas amigas.
Mas, desconfiada como sou com estas coisas, utilizei uma espécie de nome de código. Resultado: todos os amigos que contacto não acreditam que sou eu. Em compensação, recebo diariamente mensagens de pessoas que não conheço e que querem ser minhas amigas.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
O Melhor do Mundo

É quase impossível - e até indesejável - manter a harmonia constante entre dois irmãos. Já desejável, mas também muito difícil é ser-se sempre imparcial, não tomar partido, ficar em terreno neutro quando há guerra aberta no quarto das crianças. Ir lá quando o mais pequeno irrompe em choro de partir o coração e dizer simplesmente "então o que aconteceu?" em vez de gritar um irado "o que é que tu fizeste ao teu irmão?!" Ensiná-los que partilhar é melhor do que possuír.
Como impedir que o mais velho se vingue no mais novo das maldades que lhe fazem na escola? Como fazê-lo entender que não deve fazer uso do facto de ser maior e mais forte para conseguir o que quer?
Mas depois... os momentos em que brincam juntos, as palhaçadas do mais velho a arrancar gargalhadas de perder o fôlego ao mais novo, a alegria nos olhos quando acordam de manhã e se vêem ou quando chegam a casa à tarde, relembram-nos que ter um irmão é algo único e insubstituível, e fazem-nos renovar toda a vontade de ajudá-los a construír uma relação forte, a ver que podem ser os melhores amigos e ser um pilar um para o outro, para toda a vida.
domingo, 29 de novembro de 2009
Diálogos com o Manuel
Ao lanche:
- Não quéle ête ó-ute, quéle ête.
- Então e este iogurte, é para quem?
- Siôla.
- Qual senhora?
- Siôla amlela.
- E onde é que está a senhora amarela?
- Foi loja Meste Andé.
E é isto. Passa-se uns dias em casa com os miúdos e estas tornam-se as conversas mais interessantes e profundas que se têm.
- Não quéle ête ó-ute, quéle ête.
- Então e este iogurte, é para quem?
- Siôla.
- Qual senhora?
- Siôla amlela.
- E onde é que está a senhora amarela?
- Foi loja Meste Andé.
E é isto. Passa-se uns dias em casa com os miúdos e estas tornam-se as conversas mais interessantes e profundas que se têm.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Coisas do Lucas 22
Estava a contar ao Lucas que um menino na minha escola se tinha portado muito mal. Estragou as coisas dos colegas e até foi mal criado para a professora.
Olhos esbugalhados, expressão de incredulidade:
- E depois??
- Depois falaram com a mãe dele e agora vai ter um castigo.
- E és tu que lhe vais dar o castigo?
- Eu?! Porquê?
- É que tu dás uns castigos muito bons.
Obrigada, filho. Com elogios destes, quem precisa de críticas?
Olhos esbugalhados, expressão de incredulidade:
- E depois??
- Depois falaram com a mãe dele e agora vai ter um castigo.
- E és tu que lhe vais dar o castigo?
- Eu?! Porquê?
- É que tu dás uns castigos muito bons.
Obrigada, filho. Com elogios destes, quem precisa de críticas?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Gesso

Já aquando da operação do Manuel me tinha apercebido que, no que toca a recuperação de achaques, não há pai para as crianças. Ele não há cá lugar para mariquices e exageros chorosos. Senão, vejamos as conquistas do Lucas durante estas 3 semanas de braço engessado:
- Fase 1: nos primeiros dias não conseguia comer com a mão esquerda, tinha que ser alimentado. Também não se conseguia vestir.
- Fase 2: na segunda semana, não só comia e se vestia, como até já fazia desenhos com a mão esquerda.
- Fase 3: o gesso deixou de ser obstáculo e voltou a fazer desenhos com a mão direita.
- Fase 4: o gesso deixou também de incomodar nas restantes actividades a que se dedica um menino de 5 anos: jogar à bola com direito a quedas aparatosas à là CR, subir muros, fazer corridas, dar cambalhotas, atirar-se do sofá, saltar obstáculos e rebolar pelo chão.
- Fase 5: o gesso foi adoptado. Tem potencialidades diversificadas e é até muito prático ter um braço assim duro. Pode martelar-se com o cotovelo na parede do quarto e obter um som que ecoa por todo o prédio, e não é de menosprezar o jeito que dá dar com ele na cabeça do irmão, que está ali mesmo à altura.
Não será com certeza sem uma certa pena que o Lucas abandonará o gesso, esperamos, daqui a três dias.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
What's growing in my garden?
Confusos com os constantes 30 graus, os nossos morangueiros cederam: ok, voltamos a florir.
Vamos ter morangos de Outono.
Vamos ter morangos de Outono.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Coisas do Lucas, coisas da vida
Uma brincadeira, um empurrão, que provoca uma queda mal-jeitosa, que provoca um úmero partido...

No carro, no caminho de volta do hospital, quase meia noite, o gesso ainda fresco e a causar milhentas perguntas que uma cabecita de 5 anos tenta gerir. Depois de enumerar tudo o que não vai conseguir fazer só com a mão esquerda disponível, a mente acalma-se:
- A esta hora já não está nenhum menino acordado, pois não?
- Não, já é muito tarde!
- Só os que partiram o braço. Ou a perna, ou o pé. Ou a barriga.
E depois, a hora tardia causa ainda sentimentos melancólicos (viajar de carro pela noite provoca os mais estranhos pensamentos):
- Quem me dera não viver. Assim, nunca partia um braço...
Irra que sai à mãe, o rapaz?! Ou então corre-lhe nas veias o romantismo alemão.

No carro, no caminho de volta do hospital, quase meia noite, o gesso ainda fresco e a causar milhentas perguntas que uma cabecita de 5 anos tenta gerir. Depois de enumerar tudo o que não vai conseguir fazer só com a mão esquerda disponível, a mente acalma-se:
- A esta hora já não está nenhum menino acordado, pois não?
- Não, já é muito tarde!
- Só os que partiram o braço. Ou a perna, ou o pé. Ou a barriga.
E depois, a hora tardia causa ainda sentimentos melancólicos (viajar de carro pela noite provoca os mais estranhos pensamentos):
- Quem me dera não viver. Assim, nunca partia um braço...
Irra que sai à mãe, o rapaz?! Ou então corre-lhe nas veias o romantismo alemão.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Um dia de chuva
O chão molhado, um segredo, um suspiro, uma canção.
Holly Throsby - Now I love Someone
domingo, 27 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Passar o verão na Alemanha é...
- colher framboesas no jardim e ficar com a cara, as mãos e as roupas vermelhas
- verificar que o Lucas ainda adora mirtilos e vê-lo ficar com os dentes azuis com todos os que come por dia, oferecidos pela bisavó, pela avó, pela tia, pela mãe
- usar a bicicleta para ir às compras
- usar a bicicleta para ir visitar amigos
- levar o Manuel na bicicleta e conversar com ele sobre tudo o que vemos durante a viagem
- ver os meus filhos soltar exclamações de alegria com os coelhos, os esquilos, os escaravelhos, os patos e demais animais que se cruzam diariamente no nosso caminho
- passear pela floresta e parar para ver passar as rãs e os ouriços
- ver o Manuel começar a falar alemão como se fosse a coisa mais natural do mundo
- emergir noutra maneira de olhar e de pensar e de fazer as coisas que nos fazem relembrar que afinal tudo pode ser diferente e funcionar igualmente bem
- refrescar as perspectivas sobre... tudo e mais alguma coisa
- comprar uns Birkenstock
- verificar que o Lucas ainda adora mirtilos e vê-lo ficar com os dentes azuis com todos os que come por dia, oferecidos pela bisavó, pela avó, pela tia, pela mãe
- usar a bicicleta para ir às compras
- usar a bicicleta para ir visitar amigos
- levar o Manuel na bicicleta e conversar com ele sobre tudo o que vemos durante a viagem
- ver os meus filhos soltar exclamações de alegria com os coelhos, os esquilos, os escaravelhos, os patos e demais animais que se cruzam diariamente no nosso caminho
- passear pela floresta e parar para ver passar as rãs e os ouriços
- ver o Manuel começar a falar alemão como se fosse a coisa mais natural do mundo
- emergir noutra maneira de olhar e de pensar e de fazer as coisas que nos fazem relembrar que afinal tudo pode ser diferente e funcionar igualmente bem
- refrescar as perspectivas sobre... tudo e mais alguma coisa
- comprar uns Birkenstock

sábado, 1 de agosto de 2009
Como escolher?

Idealmente, estes seriam os livros que leria nas férias. Mas o bom senso e o limite de peso permitido no avião (completamente sem sentido, uma vez que os passageiros que pesam mais do que eu também têm direito a levar 20 kg, mas sei por experiência própria que os empregados do aeroporto não se deixam convencer por este argumento) fazem com que tenha que seleccionar e reduzir. Será uma tarefa difícil.
Boas férias!
terça-feira, 28 de julho de 2009
Coisas do Lucas 21
No carro, a caminho da escola...
- Que belos dias têm passado!
- ... Pois é!
- E os meus cabelos cada vez mais compridos.
- Que belos dias têm passado!
- ... Pois é!
- E os meus cabelos cada vez mais compridos.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Há dois anos atrás...

...nasceu o Manuel.
Veio para encher ainda mais a vida de amor infinito. Há dois anos atrás, não sabia que era possível o coração aumentar assim tanto.
A ensinar-nos todos os dias a olhar para o mundo com olhos de menino.
A ensinar-nos que os dias podem ser tão felizes.
A agradecer-nos com a sua alegria pelos mais pequenos grandes detalhes.
Obrigada a ti, meu amor.
Veio para encher ainda mais a vida de amor infinito. Há dois anos atrás, não sabia que era possível o coração aumentar assim tanto.
A ensinar-nos todos os dias a olhar para o mundo com olhos de menino.
A ensinar-nos que os dias podem ser tão felizes.
A agradecer-nos com a sua alegria pelos mais pequenos grandes detalhes.
Obrigada a ti, meu amor.
terça-feira, 23 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
A Day Without Sun
terça-feira, 16 de junho de 2009
Coisas do Lucas 20
Avó: Quando estou com alergia o meu nariz não pára de correr.
Lucas: Nunca vi nenhum nariz a correr!
Lucas: Nunca vi nenhum nariz a correr!
sábado, 6 de junho de 2009
Coisas do Lucas 19
Antes de deitar, enquanto vestia o pijama:
- Ainda bem que vocês tomam conta de mim, senão não sei o que fosse da minha vida!
Mãe embevecida - Pois, há meninos que não têm pai nem mãe para cuidar deles.
- Coitadinhos! Assim não podem crescer! ... (momento de reflexão) ... Já sei!! Vêm viver connosco!
- Ainda bem que vocês tomam conta de mim, senão não sei o que fosse da minha vida!
Mãe embevecida - Pois, há meninos que não têm pai nem mãe para cuidar deles.
- Coitadinhos! Assim não podem crescer! ... (momento de reflexão) ... Já sei!! Vêm viver connosco!
terça-feira, 2 de junho de 2009
As férias do Manuel

O Manuel está de férias. Foi com os avós para um lugar onde a vida parou no tempo, o ar é mais puro, o silêncio ensurdece e as horas passam devagar. Ninguém sabe o que é stress e o peixe para o almoço vem numa carrinha que apita no largo da aldeia.
O Manuel está óptimo e diverte-se com outros meninos ao fim da tarde, na rua. Ouço-o rir e dizer novas palavras pelo telefone e desfaço-me em saudades.
Sofro como se me tivessem levado um pedaço de mim. Não posso fazer nada. O Manuel será para sempre o menino que tenho medo de perder.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A Mãe perfeita
1- Levanta-se de madrugada sem qualquer esforço e alegra-se pelo dia que começa.
2 - Quando entra no quarto dos filhos, já está pronta, vestida e cheirosa, e acorda-os a sorrir e a cantar.
3 - Ajuda os filhos a prepararem-se ao mesmo tempo que lhes conta uma história.
4 - Seguem todos para a cozinha, onde os espera uma mesa farta, com um pequeno almoço completo e saudável.
5- Deixa a cozinha limpa e toda a casa arrumada antes de sairem de casa.
6 - Sai com os filhos de casa a tempo de irem devagar até à escola e despedem-se todos com um sorriso.
7- Segue para o trabalho com calma, apreciando o mundo à sua volta e o bulício da cidade.
8- É uma mulher de sucesso no trabalho, respeitada por todos e admirada por colegas e chefias.
9- Vai buscar os filhos cedo, e leva-os a um parque ou, em caso de mau tempo, inventa com eles jogos que estimulam tanto a sua criatividade, como o seu desenvolvimento cognitivo.
10- Ao jantar, há sempre refeições equilibradas, nutritivas e deliciosas, que cozinha com toda a sua dedicação.
11- Arruma a cozinha num ápice, e ao primeiro bocejo dos filhos já está pronta para lhes ler uma história e cantar uma canção de boa-noite.
12 - Nunca perde a paciência e explica tudo, se for preciso, mil vezes, não se deixando alterar nem pela mais tempestuosa das birras.
(suspiros)
2 - Quando entra no quarto dos filhos, já está pronta, vestida e cheirosa, e acorda-os a sorrir e a cantar.
3 - Ajuda os filhos a prepararem-se ao mesmo tempo que lhes conta uma história.
4 - Seguem todos para a cozinha, onde os espera uma mesa farta, com um pequeno almoço completo e saudável.
5- Deixa a cozinha limpa e toda a casa arrumada antes de sairem de casa.
6 - Sai com os filhos de casa a tempo de irem devagar até à escola e despedem-se todos com um sorriso.
7- Segue para o trabalho com calma, apreciando o mundo à sua volta e o bulício da cidade.
8- É uma mulher de sucesso no trabalho, respeitada por todos e admirada por colegas e chefias.
9- Vai buscar os filhos cedo, e leva-os a um parque ou, em caso de mau tempo, inventa com eles jogos que estimulam tanto a sua criatividade, como o seu desenvolvimento cognitivo.
10- Ao jantar, há sempre refeições equilibradas, nutritivas e deliciosas, que cozinha com toda a sua dedicação.
11- Arruma a cozinha num ápice, e ao primeiro bocejo dos filhos já está pronta para lhes ler uma história e cantar uma canção de boa-noite.
12 - Nunca perde a paciência e explica tudo, se for preciso, mil vezes, não se deixando alterar nem pela mais tempestuosa das birras.
(suspiros)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O Cordel Triplicado Não Se Rompe Facilmente
O Casamento do meu irmão, no dia 9 de Maio, foi o mais bonito em que já estive. Voltarei a comover-me assim, talvez, se algum dia vier a assistir ao casamento dos meus filhos. Tanta felicidade e alegria contagiante chegou para me deixar contente durante o resto do ano :)
Não vale a pena - nem conseguiria - escrever aqui tudo o quanto lhe - lhes - desejo. Acima de tudo, que nunca se esqueçam, nem nos dias mais cinzentos e mesquinhos, de como a vida e o amor são grandes e preciosos. E de como as pequenas coisas são, tantas vezes, as maiores.
Não vale a pena - nem conseguiria - escrever aqui tudo o quanto lhe - lhes - desejo. Acima de tudo, que nunca se esqueçam, nem nos dias mais cinzentos e mesquinhos, de como a vida e o amor são grandes e preciosos. E de como as pequenas coisas são, tantas vezes, as maiores.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Thank You Mr. Dunham
Agora, sempre que grito aos meus alunos "Silence!", eles gritam-me de volta: "I kill you!"
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Empolgante
No dia mundial do livro, venho contar-vos que ando a ler um livro de Carlos Ruiz Zafón. Não me foi oferecido a mim, mas desde que espreitei a primeira página surripiei-o para a minha mesa de cabeceira e não o largo. Eu, que normalmente não gosto de best sellers, estou completalmente presa. A sombra do vento é um livro extraordinário.



terça-feira, 21 de abril de 2009
Aflições
Está aparentemente instalado pela nossa casa um malvado vírus que não descansa até nos atacar a todos. Coisa de pouca duração, mas que nos rouba as forças e nos tira a fome. Agora chegou a vez do Manuel.
Uma manhã como as outras. Acordamos com o melhor despertador do mundo: duas crianças a brincar no quarto ao lado, uma delas a pedir leite enquanto abana ritmicamente as grades da cama.
Vem para a nossa cama beber o leite. Só que, desta vez, o dito malvado não permite que o leite fique onde devia.
Fica-se sempre estupefacto com um jacto deste calibre, e, durante uns segundos, sem reacção.
Trocadas as roupas e os lençóis, o Manuel volta para a nossa cama. Deito-me com ele, e, enquanto choraminga o seu mal-estar,vai-me fazendo festas na cara e dando-me beijinhos no nariz. O Manuel é o menino mais meigo que já vi, e eu tento guardar cada um destes instantes, pois já sei que, num piscar de olhos, ele vai saltar-me dos braços e dizer-me, como o Lucas já diz, "chega-te para lá!".
Uma manhã como as outras. Acordamos com o melhor despertador do mundo: duas crianças a brincar no quarto ao lado, uma delas a pedir leite enquanto abana ritmicamente as grades da cama.
Vem para a nossa cama beber o leite. Só que, desta vez, o dito malvado não permite que o leite fique onde devia.
Fica-se sempre estupefacto com um jacto deste calibre, e, durante uns segundos, sem reacção.
Trocadas as roupas e os lençóis, o Manuel volta para a nossa cama. Deito-me com ele, e, enquanto choraminga o seu mal-estar,vai-me fazendo festas na cara e dando-me beijinhos no nariz. O Manuel é o menino mais meigo que já vi, e eu tento guardar cada um destes instantes, pois já sei que, num piscar de olhos, ele vai saltar-me dos braços e dizer-me, como o Lucas já diz, "chega-te para lá!".
segunda-feira, 30 de março de 2009
O Lucas caiu da cama
Li algures que, a partir de uma certa idade, deixamos intuitivamente de cair da cama. Achámos que essa fase já tinha chegado e foi já há algum tempo que retirámos a protecção. De facto, desde então nunca tinha caído. Mas há pouco ouvi um baque e fui em busca da sua origem... O mais estranho é que continuou tranquilamente a dormir no chão. Amanhã contar-me-á com certeza que teve sonhos atribulados. Tadinho do meu menino...
quinta-feira, 26 de março de 2009
Coisas do Lucas 18
- Mamã, quando nos estamos a divertir o tempo passa muito depressa, não é?
- É...
... (ar de pensativo) ...
- Neste fim-de-semana não me quero divertir nada!
- É...
... (ar de pensativo) ...
- Neste fim-de-semana não me quero divertir nada!
segunda-feira, 16 de março de 2009
Coisas do Lucas 17
mãe: Este fim-de-semana vamos visitar uns primos ao Alentejo. E vamos a um restaurante alentejano!
Lucas: Vamos ao Macd*nalds?
(devo acrescentar que o Lucas, até há pouco tempo, não sabia o que era o Macd*nalds. Quando me apercebi que, quando os amigos lhe falavam do dito, pensava que estavam a falar do Pato Donald, achei que estava na hora de o confrontar com a realidade. Tudo o resto seria adiar o inevitável. Entretanto, fomos duas vezes. Sem grande sucesso - por agora, bem sei...)
Lucas: Vamos ao Macd*nalds?
(devo acrescentar que o Lucas, até há pouco tempo, não sabia o que era o Macd*nalds. Quando me apercebi que, quando os amigos lhe falavam do dito, pensava que estavam a falar do Pato Donald, achei que estava na hora de o confrontar com a realidade. Tudo o resto seria adiar o inevitável. Entretanto, fomos duas vezes. Sem grande sucesso - por agora, bem sei...)
terça-feira, 10 de março de 2009
Fadas do Lar
Sou uma péssima dona de casa. Assumida. Este blog podia, aliás, chamar-se A Anti-Dona de Casa ou Péssimas Donas de Casa Anónimas. Apaixona-me a cozinha, mas irrita-me a loiça. Fujo do ferro de engomar. O aspirador é um inimigo declarado. Estendo, apanho, dobro e arrumo a roupa de quatro pessoas com um suspiro de enfado. Abomino panos do pó. Desculpa, Mãe, o que sofreste comigo ao tentar transmitir-me, totalmente em vão, o gosto pelas lides caseiras.
Nada contra as fadas do lar, que admiro profundamente. Existem, porém, donas de casa e donas de casa. E há uma espécie de dona de casa tipicamente portuguesa que me desconcerta.
Exemplifico: estava há dias no café, sozinha. Ao meu lado, duas mulheres conversavam, e uma delas dizia algo assim: "Tenho a empregada lá em casa, tenho que me despachar. Se eu não a ajudar, nunca mais é sábado. Sim, porque eu na minha casa gosto de tudo sempre muito bem limpo. Por exemplo, aspirar e lavar o chão debaixo e atrás dos móveis todos e das máquinas não é só de vez em quando. É todas as semanas. Janelas a mesma coisa. E o pó é limpo todos os dias." Apeteceu-me esbofeteá-la e dizer-lhe, qual Sharon Stone: Get a life.
Levantou-se, tirou um maço de cigarros da máquina e abriu-o enquanto saía. Já na rua, deitou o plástico e a prata para o chão.
Devia tê-lo feito.
Nada contra as fadas do lar, que admiro profundamente. Existem, porém, donas de casa e donas de casa. E há uma espécie de dona de casa tipicamente portuguesa que me desconcerta.
Exemplifico: estava há dias no café, sozinha. Ao meu lado, duas mulheres conversavam, e uma delas dizia algo assim: "Tenho a empregada lá em casa, tenho que me despachar. Se eu não a ajudar, nunca mais é sábado. Sim, porque eu na minha casa gosto de tudo sempre muito bem limpo. Por exemplo, aspirar e lavar o chão debaixo e atrás dos móveis todos e das máquinas não é só de vez em quando. É todas as semanas. Janelas a mesma coisa. E o pó é limpo todos os dias." Apeteceu-me esbofeteá-la e dizer-lhe, qual Sharon Stone: Get a life.
Levantou-se, tirou um maço de cigarros da máquina e abriu-o enquanto saía. Já na rua, deitou o plástico e a prata para o chão.
Devia tê-lo feito.
had a bad day
Sem mais nem menos, o desalento instala-se. Duvida-se de tudo. Sobretudo de nós próprios. Há dias assim.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Coisas do Lucas 16
Vínhamos da escola e passámos ao lado de um chafariz, onde estavam três rapazes a encher balões de água. Conversavam, utilizando a linguagem típica, bem recheada.
O Lucas, conhecedor das boas maneiras, ao ouvir aquilo, parou logo de andar, virou-se para eles e disse-lhes, a indignação na postura e na voz:
- C***lho não se diz!!!
Olhámos uns para os outros, qual de nós mais estupefacto. Pensei em pegar na criança abelhuda por um braço e continuar o caminho. Mas senti ternura por aquele acto de coragem e confiei, como faço sempre, na bondade das pessoas. Pisquei o olho aos rapazes e disse:
- Pois não, filho.
Um deles apoiou:
- Tens razão. É assim mesmo.
Não me enganei. E seguimos para casa, intactos.
O Lucas, conhecedor das boas maneiras, ao ouvir aquilo, parou logo de andar, virou-se para eles e disse-lhes, a indignação na postura e na voz:
- C***lho não se diz!!!
Olhámos uns para os outros, qual de nós mais estupefacto. Pensei em pegar na criança abelhuda por um braço e continuar o caminho. Mas senti ternura por aquele acto de coragem e confiei, como faço sempre, na bondade das pessoas. Pisquei o olho aos rapazes e disse:
- Pois não, filho.
Um deles apoiou:
- Tens razão. É assim mesmo.
Não me enganei. E seguimos para casa, intactos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Coisas do Lucas 15
Argumentos para, no restaurante, justificar a exigência de um gelado para a sobremesa:
- Hoje na escola ao almoço comi sopa com coisas grandes, e depois carne com massa e gelatina, muitas coisas saudáveis, muitas vitaminas e proteínas, por isso o meu corpo já está cheio de alegria e agora preciso de uma coisa pouco saudável.
(desculpe, pode repetir?)
- Hoje na escola ao almoço comi sopa com coisas grandes, e depois carne com massa e gelatina, muitas coisas saudáveis, muitas vitaminas e proteínas, por isso o meu corpo já está cheio de alegria e agora preciso de uma coisa pouco saudável.
(desculpe, pode repetir?)
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Coisas do Lucas 14
Depois do banho:
- Olha a minha pele, ficou tão lisinha! Quando o papá acabar de tomar banho, a pele dele também vai ficar assim lisinha. Só que com pêlos.
- Olha a minha pele, ficou tão lisinha! Quando o papá acabar de tomar banho, a pele dele também vai ficar assim lisinha. Só que com pêlos.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Espantalho
A escola teve a ideia: as meninas vão mascaradas de flores, os meninos de espantalhos. As roupas vieram dos filhos da minha amiga. A avó forneceu os retalhos e, há muitos anos atrás, os preciosos conhecimentos básicos de costura. O chapéu foi comprado num mercado de rua de Amesterdão, há mais de 10 anos.
E foi assim que, ontem à noite, passei duas horas ao serão a cortar e coser pedaços do passado. Sobras de um vestido de quando era criança, a barra de uma saia demasiado comprida de quase adolescente, toalhas, lençóis de bebé e baínhas dos cortinados do meu quarto em casa dos pais. Hoje, o Lucas desfilou pelas ruas da freguesia vestido com retalhos da minha vida.
E foi assim que, ontem à noite, passei duas horas ao serão a cortar e coser pedaços do passado. Sobras de um vestido de quando era criança, a barra de uma saia demasiado comprida de quase adolescente, toalhas, lençóis de bebé e baínhas dos cortinados do meu quarto em casa dos pais. Hoje, o Lucas desfilou pelas ruas da freguesia vestido com retalhos da minha vida.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
As perguntas do Lucas
- Amanhã o mano e tu ficam a dormir em casa da avó, eu e o papá vamos ao teatro.
- Também quero ir!
- Não pode ser, é um teatro para crescidos.
- É um teatro de marionetas?
- Não...
- E vocês não vão ter medo de ficar a dormir aqui em casa sozinhos?
- Também quero ir!
- Não pode ser, é um teatro para crescidos.
- É um teatro de marionetas?
- Não...
- E vocês não vão ter medo de ficar a dormir aqui em casa sozinhos?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Castigo
Por causa de alguns comportamentos que achámos que era necessário punir, o Lucas hoje à noite não ouviu uma história antes de dormir. Para ele, um castigo terrível.
Chorou baba e ranho, esperneou. Atirou-me: "Sem uma história não vou conseguir dormir toda a noite! Esta é a pior noite do mundo inteiro!!"
Sentei-me ao lado dele e expliquei-lhe mais uma vez, com exemplos, o que são os castigos e para que servem. Depois, dei-lhe um beijo de boa noite e fiz-lhe uma festa na cara. Orgulhoso, afastou a minha mão. Logo a seguir, com um resmungo, veio buscá-la outra vez. Agarrou-a com força e assim adormeceu.
Estou roída de remorsos. Esta é a pior noite do mundo inteiro.
Chorou baba e ranho, esperneou. Atirou-me: "Sem uma história não vou conseguir dormir toda a noite! Esta é a pior noite do mundo inteiro!!"
Sentei-me ao lado dele e expliquei-lhe mais uma vez, com exemplos, o que são os castigos e para que servem. Depois, dei-lhe um beijo de boa noite e fiz-lhe uma festa na cara. Orgulhoso, afastou a minha mão. Logo a seguir, com um resmungo, veio buscá-la outra vez. Agarrou-a com força e assim adormeceu.
Estou roída de remorsos. Esta é a pior noite do mundo inteiro.
sábado, 31 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
flashback
O dia 28 de Janeiro de 2008 vai ficar para sempre marcado nas nossas vidas como um Renascer. O dia em que o Manuel foi operado e a semana que passei com ele no hospital foram tão fortes que é difícil descrevê-los.
Ao relembrar esses dias, lembro-me dos tantos meninos que conhecemos no hospital e de quem nunca nos vamos esquecer. Penso em especial no Samuel, cuja história infelizmente não teve o mesmo final feliz que a nossa. Penso nele tantas vezes.
Passado um ano, continuo sem conseguir digerir o que vivi.
Ao relembrar esses dias, lembro-me dos tantos meninos que conhecemos no hospital e de quem nunca nos vamos esquecer. Penso em especial no Samuel, cuja história infelizmente não teve o mesmo final feliz que a nossa. Penso nele tantas vezes.
Passado um ano, continuo sem conseguir digerir o que vivi.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Que bom filme é você?

"Você é "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" de Jean Pierre Jeunet. Você é engraçado(a), original. Uma pessoa leve e maravilhosa de se conviver."
Faça você também Que
bom filme é você? Uma criação de

Mundo Insano da Abyssinia
eu? gosto imenso deste filme, mas... hm............ (ar de dúvida)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
doula
Este sim, o número 1 da lista! Um sonho recente, que cresceu graças à minha querida amiga e doula, e que estou pela primeira vez a poder pôr em prática com a minha amiga super-grávida, super-mãe e linda. Sentir um bebé a mexer dentro de uma grande e maravilhosa barriga, trocar experiências, falar sobre a amamentação e o parto e como tudo pode funcionar bem tendo a Mulher sido concebida para dar à luz... poderia ficar horas a dissertar sobre isto.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Professora primária
Nunca fez parte da minha lista de profissões de sonho. Nem tentei nunca enveredar por este aventuroso caminho. Foi daquelas coisas. Calhou-me na rifa. Uma rifa a desenrolar a partir de ontem, 2 horas por dia.
Estava positivamente nervosa e expectante. Planeei jogos e actividades motivantes. Imaginei exercícios em forma de brincadeira. Tentei desenhar na minha cabeça os alunos que me esperavam. Vi olhos curiosos, meninos espertos e sedentos de aprender.
Pensei também que estava talvez a ser um pouco ingénua. Mas não. Estava a ser completamente estúpida.
Encontrei crianças que não são capazes de ocupar o seu lugar por mais do que uns poucos minutos. Já para não falar em estar caladinhas. Testei a minha voz a níveis perigosamente esgotantes. Arrependi-me de ter sorrido ao entrar na sala. Vi-os rebolar pelo chão, atirar objectos uns aos outros, agredir-se e ser insolentes e provocadores, achando tudo o que eu pudesse dizer uma grande seca. Com 8 anos.
Mas também vi os meninos que tinha imaginado. Poucos. Vi-os sentados, com os cadernos abertos e lápis na mão, com ar perdido.
Mais do que estar chocada por ter que passar os próximos meses na selva, choca-me o facto de ser esta a escola primária de hoje em dia. E de ser esta a escola que os meus filhos irão frequentar.
Estava positivamente nervosa e expectante. Planeei jogos e actividades motivantes. Imaginei exercícios em forma de brincadeira. Tentei desenhar na minha cabeça os alunos que me esperavam. Vi olhos curiosos, meninos espertos e sedentos de aprender.
Pensei também que estava talvez a ser um pouco ingénua. Mas não. Estava a ser completamente estúpida.
Encontrei crianças que não são capazes de ocupar o seu lugar por mais do que uns poucos minutos. Já para não falar em estar caladinhas. Testei a minha voz a níveis perigosamente esgotantes. Arrependi-me de ter sorrido ao entrar na sala. Vi-os rebolar pelo chão, atirar objectos uns aos outros, agredir-se e ser insolentes e provocadores, achando tudo o que eu pudesse dizer uma grande seca. Com 8 anos.
Mas também vi os meninos que tinha imaginado. Poucos. Vi-os sentados, com os cadernos abertos e lápis na mão, com ar perdido.
Mais do que estar chocada por ter que passar os próximos meses na selva, choca-me o facto de ser esta a escola primária de hoje em dia. E de ser esta a escola que os meus filhos irão frequentar.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Arco-Íris sobre o Alentejo
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