Achei que tinha tido a minha dose de choque para a vida quando, numa tarde quente de outubro, há uns anos atrás, com o meu bebé de 2 meses ao colo, ouvi de um médico o palavrão "escafocefalia".
Enganei-me.
Hoje, com o outro filhote, já tão crescido e todo feliz da vida por ter andado de metro, tive que ouvir outro. É apenas uma suspeita e, por isso, resisto a introduzir o palavrão no google. Recuso esse auto-flagelo e espero - ah, a espera, como consegue ser terrível a espera - pela próxima semana, altura em que, talvez, venhamos a saber mais.
E tudo o que senti há 4 anos e meio atrás volta com a mesma intensidade. Mas sem o factor surpresa. Em vez dele, uma sensação de estar dorida com pancada que já levei. A sensação de já ter estado neste lugar. Como um tsunami que me invade os dias e leva tudo à frente.
E, mais uma vez, sentindo que me passaram para as mãos um pacote que não posso, mas tenho que carregar.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
As Conversas do Manuel 11 ou Como não Morrer de Amor por Este Menino?
Assim, de repente aparece na cozinha:
- Mama, ich liebe meine ganze Familie.*
* Mãe, eu amo a minha família inteira.
- Mama, ich liebe meine ganze Familie.*
* Mãe, eu amo a minha família inteira.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Coisas do Lucas 44 ou Como A Palavra de 2011 Já Penetrou na Cabeça dos Mais Novos
Estamos na fronteira, à nossa frente corre fresco o Guadiana, a observar os barcos e o casario branco da localidade quase-espelho na outra banda. Como sou a única que já lá esteve, conto como são as coisas do outro lado, logo ali, e ao mesmo tempo tão longe: que as pessoas falam outra língua. Que dormem a siesta. Que dantes costumava atravessar o rio com amigos e tinhamos que esperar que as lojas voltassem a abrir às 5 para comprarmos gelados com pesetas. Que ali tudo parece mais organizado, mais arrumadinho. Menos pobrezinho.
O Lucas remata logo, em defesa da sua camisola:
- Mas, também, eles não têm medidas de austeridade!
(Filho, aos 8 anos eu nunca tinha sequer ouvido essa palavra, muito menos pensado nela. Lamento que ela já faça parte activa do teu vocabulário e te inquiete o espírito...)
O Lucas remata logo, em defesa da sua camisola:
- Mas, também, eles não têm medidas de austeridade!
(Filho, aos 8 anos eu nunca tinha sequer ouvido essa palavra, muito menos pensado nela. Lamento que ela já faça parte activa do teu vocabulário e te inquiete o espírito...)
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Barcelona
Não sou propriamente esquisita no que diz respeito a destinos de viagens. Para mim, viajar, só por si, já tem fascínio suficiente. Quando era mais nova, chegava a ir ao aeroporto só para sentir o cheiro a viagens, perder-me num mar de gente a chegar e a partir.
Mas Barcelona é, de facto, mesmo para fasquias mais altas do que a minha, uma cidade fascinante.
Lá encontrei uma irresistível mistura de coisas boas e que, pelos vistos, afinal podem coexistir: por um lado, a alegria de Espanha, o pituresco, as ruas cheias a toda a hora (apesar do frio, muito), as palavras de sílabas abertas e sonoras, ditas com uma auto-confiança que parece vir nos genes. Por outro, a organização da Europa do norte: o sistema de bicicletas públicas, a organização dos transportes em geral, a conservação do património. É outro mundo, mesmo aqui ao lado.
Mas Barcelona é, de facto, mesmo para fasquias mais altas do que a minha, uma cidade fascinante.
Lá encontrei uma irresistível mistura de coisas boas e que, pelos vistos, afinal podem coexistir: por um lado, a alegria de Espanha, o pituresco, as ruas cheias a toda a hora (apesar do frio, muito), as palavras de sílabas abertas e sonoras, ditas com uma auto-confiança que parece vir nos genes. Por outro, a organização da Europa do norte: o sistema de bicicletas públicas, a organização dos transportes em geral, a conservação do património. É outro mundo, mesmo aqui ao lado.

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