(assim do nada)
- Mãe, mesmo assim gosto muito de ti.
- Porquê "mesmo assim"?
- Porque tu trabalhas muito.
(eu acho que deviam gostar de mim PORQUE trabalho muito... mas a minha lógica é outra).
quinta-feira, 27 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
As Conversas do Manuel 2
Acho que o Manuel ainda não consegue distinguir bem a realidade dos sonhos. Pelo menos é o que parece quando acorda e conta com grande convicção o que "viu", sentado na cama, olhinhos estremunhados e cabelo desgrenhado:
- Eu vi um leão. Ele disse: "Queres café?" E eu disse "não, eu só bebo leitinho".
- Eu vi um leão. Ele disse: "Queres café?" E eu disse "não, eu só bebo leitinho".
domingo, 9 de maio de 2010
Coisas do Lucas 26 (as coisas do Lucas nem sempre são para rir...)
Hoje, ao pequeno almoço.
- Mãe, aos meninos também abrem a barriga?
(uns segundos para tentar apanhar)
- Sim, se tiverem que ser operados.
- Eu vou ser operado?
- Não sei, espero que não.
- O Manuel foi operado, não foi? À cabeça, não é?
- Sim. (ainda estremeço quando falo nisto)
- Abriram-lhe a cabeça?
- Sim.
(faz uma careta. Depois vira-se para o irmão)
- Manuel, quando tu eras bebé foste operado e abriram-te a cabeça.
(o Manuel olha para ele, depois para mim, olhos muito abertos, e pergunta)
- eu?
Sorrio-lhe e mudo de assunto. O Lucas quer voltar à carga, mas o pai interrompe a conversa. Que um dia, quando ele tiver idade para perceber, lhe contaremos. Pergunto-me quando será esse dia e como se conta a uma criança que já passou por algo assim.
Há coisas que nos marcam para sempre, não há volta a dar.
Já passou.
- Mãe, aos meninos também abrem a barriga?
(uns segundos para tentar apanhar)
- Sim, se tiverem que ser operados.
- Eu vou ser operado?
- Não sei, espero que não.
- O Manuel foi operado, não foi? À cabeça, não é?
- Sim. (ainda estremeço quando falo nisto)
- Abriram-lhe a cabeça?
- Sim.
(faz uma careta. Depois vira-se para o irmão)
- Manuel, quando tu eras bebé foste operado e abriram-te a cabeça.
(o Manuel olha para ele, depois para mim, olhos muito abertos, e pergunta)
- eu?
Sorrio-lhe e mudo de assunto. O Lucas quer voltar à carga, mas o pai interrompe a conversa. Que um dia, quando ele tiver idade para perceber, lhe contaremos. Pergunto-me quando será esse dia e como se conta a uma criança que já passou por algo assim.
Há coisas que nos marcam para sempre, não há volta a dar.
Já passou.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Coisas que me irritam solenemente
Sábado, 5 da tarde, no parque. O Lucas joga à bola com o pai, o Manuel anda de baloiço há 15 minutos e não parece interessado em parar.
Ao nosso lado, uma menina anda de escorrega com igual entusiasmo, uma e outra vez.
- Maria, anda, vamos embora.
(A mãe está farta do parque.)
- Não quero, quero ficar mais um bocadinho!
(A Maria vê a coisa de outro modo.)
- Anda que já estou cheia de frio!
(cerca de 20 graus e sol.)
- Não quero!
(A Maria tem a persistência de uma pequena leoa.)
- Olha, então vou-me eu embora!
(A mãe começa a impacientar-se, mas que maçada, estes fedelhos, e ter que ir ao parque ao sábado à tarde, que seca.)
A Maria continua a andar de escorrega como se não houvesse amanhã e ignora a mãe.
(hihihi)
- Anda, vamos para casa, não queres ver os desenhos animados?
(Desleal, isto é desleal!)
A Maria hesita... e lá vai, vencida.
Sobe para o corrimão à saída do parque, como fazem quase todos os meninos que passam ali.
- Desce daí, vais cair e bater aí com a boca e depois ficas a deitar sangue!
(Bolas, que isto é demais. Não fosse eu tão recatada e teria perguntado à senhora se não se lembra de ter sido criança.)
E lá vai a Maria, pela mão, quietinha como se quer.
Quem me conhece sabe que a televisão é o último recurso aqui de casa para entreter as crianças. Claro que adoram o Ruca e o Martim Manhã e o Bob, mas liga-se a TV para ver uns episódios e depois desliga-se. Não compreendo este hábito de fazer da televisão baby-sitter e deixar as crianças horas a fio entregues a uma triste passividade. Isto aliado a uma super-protecção do tipo "não corras que vais cair", "não saltes que torces um pé", "não jogues à bola que podes esfolar os joelhos" e temos a mistura capaz de me por a milhas.
Não sou nenhuma super-mãe e tenho tantas coisas para fazer em casa como qualquer outra (com a diferença, talvez, de eu ser bem mais lerda para as tarefas domésticas do que boa parte das mulheres), mas só tiraria os meus filhos do parque aliciando-os com programas de televisão se estivesse a chover a potes ou alguém estivesse doente. E, por mais que eu estremeça por dentro, hão-de correr e cair o que tiverem que cair e torcer pés o que tiverem que torcer e esfolar joelhos o que tiverem esfolar. Humpf!
Ao nosso lado, uma menina anda de escorrega com igual entusiasmo, uma e outra vez.
- Maria, anda, vamos embora.
(A mãe está farta do parque.)
- Não quero, quero ficar mais um bocadinho!
(A Maria vê a coisa de outro modo.)
- Anda que já estou cheia de frio!
(cerca de 20 graus e sol.)
- Não quero!
(A Maria tem a persistência de uma pequena leoa.)
- Olha, então vou-me eu embora!
(A mãe começa a impacientar-se, mas que maçada, estes fedelhos, e ter que ir ao parque ao sábado à tarde, que seca.)
A Maria continua a andar de escorrega como se não houvesse amanhã e ignora a mãe.
(hihihi)
- Anda, vamos para casa, não queres ver os desenhos animados?
(Desleal, isto é desleal!)
A Maria hesita... e lá vai, vencida.
Sobe para o corrimão à saída do parque, como fazem quase todos os meninos que passam ali.
- Desce daí, vais cair e bater aí com a boca e depois ficas a deitar sangue!
(Bolas, que isto é demais. Não fosse eu tão recatada e teria perguntado à senhora se não se lembra de ter sido criança.)
E lá vai a Maria, pela mão, quietinha como se quer.
Quem me conhece sabe que a televisão é o último recurso aqui de casa para entreter as crianças. Claro que adoram o Ruca e o Martim Manhã e o Bob, mas liga-se a TV para ver uns episódios e depois desliga-se. Não compreendo este hábito de fazer da televisão baby-sitter e deixar as crianças horas a fio entregues a uma triste passividade. Isto aliado a uma super-protecção do tipo "não corras que vais cair", "não saltes que torces um pé", "não jogues à bola que podes esfolar os joelhos" e temos a mistura capaz de me por a milhas.
Não sou nenhuma super-mãe e tenho tantas coisas para fazer em casa como qualquer outra (com a diferença, talvez, de eu ser bem mais lerda para as tarefas domésticas do que boa parte das mulheres), mas só tiraria os meus filhos do parque aliciando-os com programas de televisão se estivesse a chover a potes ou alguém estivesse doente. E, por mais que eu estremeça por dentro, hão-de correr e cair o que tiverem que cair e torcer pés o que tiverem que torcer e esfolar joelhos o que tiverem esfolar. Humpf!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Coisas que admiro
Pessoas que mantêm o sentido de humor com a idade:
Li há tempos uma entrevista a uma senhora que completava 100 anos.
Depois de a inquirir acerca da sua descendência e do quão realizada se sentia como centenária, o jornalista perguntou, em jeito de brincadeira, se podia voltar daí a um ano para a entrevistar novamente. Resposta: "Porque não? O senhor não me parece ainda muito velho".
Li há tempos uma entrevista a uma senhora que completava 100 anos.
Depois de a inquirir acerca da sua descendência e do quão realizada se sentia como centenária, o jornalista perguntou, em jeito de brincadeira, se podia voltar daí a um ano para a entrevistar novamente. Resposta: "Porque não? O senhor não me parece ainda muito velho".
segunda-feira, 8 de março de 2010
Coisas do Lucas 25
Deitado na cama, quase a adormecer ao meu lado:
- Ainda bem que o meu pai escolheu uma mãe tão bonita!
- Ainda bem que o meu pai escolheu uma mãe tão bonita!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A ecologista que há em mim
Fico fula quando, na estrada, vejo objectos a serem arremessados pelas janelas dos carros. A janela abre e lá vai a garrafinha de água vazia. Esvoaça o lenço de papel usado. Sobe pelos ares o plástico do maço de cigarros, logo seguido pela prata, que fica a saltitar no asfalto. Basta continuar a seguir uns quilómetros o mesmo veículo e - lá vem ela, a beata, ao encontro da liberdade. Uma amiga minha chegou a levar com uma fralda descartável no vidro da frente - bem recheada, a avaliar pelo estrondo. Ó concidadãos, mas o que é isto?
Nestes momentos, sou sempre assaltada pela mesma dúvida: o que fazer? Sinais de luzes - que provavelmente não seriam entendidos? Apontar com o indicador para a testa, arriscando-me a levar uns sopapos, como já quase aconteceu? Até que, um dia, tive uma ideia. Fiz um cartaz com a imagem de um porco. Da próxima vez que assistir a uma destas agressões ambientais, estarei pronta para me colocar de imediato junto ao carro em questão e erguer o meu cartaz, tornando-o bem visível para o condutor vizinho. Macacos me mordam, um dia destes hei-de ter coragem de o fazer. (Talvez peça a colaboração do Lucas).
Nestes momentos, sou sempre assaltada pela mesma dúvida: o que fazer? Sinais de luzes - que provavelmente não seriam entendidos? Apontar com o indicador para a testa, arriscando-me a levar uns sopapos, como já quase aconteceu? Até que, um dia, tive uma ideia. Fiz um cartaz com a imagem de um porco. Da próxima vez que assistir a uma destas agressões ambientais, estarei pronta para me colocar de imediato junto ao carro em questão e erguer o meu cartaz, tornando-o bem visível para o condutor vizinho. Macacos me mordam, um dia destes hei-de ter coragem de o fazer. (Talvez peça a colaboração do Lucas).
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Coisas do Lucas 24
- Mãe, compra-me um g0rmiti.
- Ó Lucas, esses bonecos são horríveis, horripilantes, são monstros, e nem sequer são monstros normais, são monstros deformados!
- Mas mãe, eu já tenho tantas coisas bonitas. Também posso ter algumas feias, não é?
- Ó Lucas, esses bonecos são horríveis, horripilantes, são monstros, e nem sequer são monstros normais, são monstros deformados!
- Mas mãe, eu já tenho tantas coisas bonitas. Também posso ter algumas feias, não é?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
As conversas do Manuel
Estamos a ver um livro. Há uma imagem de uma família de pinguins - 2 adultos, um bebé, um filhote mais crescido. O Manuel aponta com o dedo e vai descrevendo:
- Mamã pinguim, papá pinguim, bebé pinguim, Lucas pinguim.
Estamos todos em conformidade com a norma, portanto. A norma que existe na cabecita do Manuel.
- Mamã pinguim, papá pinguim, bebé pinguim, Lucas pinguim.
Estamos todos em conformidade com a norma, portanto. A norma que existe na cabecita do Manuel.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Nunca voltes a um lugar onde já foste feliz
Viro esta regra ao contrário e, quase 20 anos depois, volto a um lugar onde fui infeliz.
Passados tantos anos - credo, estou mesmo velha -, agora, tudo me parece ali mais leve. As coisas mudam, eu mudei. Volto sem obrigações, sem pressões. Junto-me a mais uns quantos amantes da música, sento-me numa sala cheia de livros antigos, abro a boca e canto.
E o melhor não é a harmonia que sinto durante essa hora e meia, o melhor é mesmo o voltar para casa e continuar a cantar, sentir que a disposição fica lá em cima, junto das notas mais agudas. Vou buscar o Manuel e cantamos os dois no carro, a caminho de casa. Gosto de cantar com os meus filhos, e espero que eles continuem durante muito tempo a gostar de cantar comigo.
E pronto, este foi, até agora, o mais inesperado acontecimento de 2010.
Passados tantos anos - credo, estou mesmo velha -, agora, tudo me parece ali mais leve. As coisas mudam, eu mudei. Volto sem obrigações, sem pressões. Junto-me a mais uns quantos amantes da música, sento-me numa sala cheia de livros antigos, abro a boca e canto.
E o melhor não é a harmonia que sinto durante essa hora e meia, o melhor é mesmo o voltar para casa e continuar a cantar, sentir que a disposição fica lá em cima, junto das notas mais agudas. Vou buscar o Manuel e cantamos os dois no carro, a caminho de casa. Gosto de cantar com os meus filhos, e espero que eles continuem durante muito tempo a gostar de cantar comigo.
E pronto, este foi, até agora, o mais inesperado acontecimento de 2010.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Coisas do Lucas 23
Sábado ao jantar. Sento-me à mesa, estoirada depois de um dia bem recheado de tarefas domésticas. Sento-me à mesa e suspiro que estou cansada. Sábado cansa.
Levantar. Pequeno almoço completo. Lavar roupa. Estender roupa. Arrumar. Limpar. Fazer almoço. Arrumar cozinha. Apanhar roupa. Lavar roupa. Estender roupa. Fazer bolo de chocolate. Limpar a cozinha. Arrumar milhares de peças de roupa. Tentar dar banho ao Manuel. Inundar involuntariamente a casa-de-banho ao encher a banheira. Secar casa de banho. Retirar tampa da porcaria da banheira de hidromassagem (vão por mim, nunca queiram uma banheira de hidromassagem). De rabo para o ar, tirar a água do chão debaixo da banheira. Dar, finalmente, banho ao Manuel. Um momento de distracção e - o Manuel mostra-me orgulhoso o cocó que fez na banheira. Pescar cocós da água. Retirar rapidamente todos os brinquedos e o Manuel da banheira. Dar um duche ao Manuel. Secá-lo, vesti-lo. Limpar a banheira. Fazer o jantar a horas para os dois esfomeados que chegam da natação.
Sento-me à mesa e anuncio que não faço mais nada hoje, que estou cansada. O Lucas olha-me num misto de surpresa e pena:
- Não sabia que tinha uma mãe tão frágil.
Levantar. Pequeno almoço completo. Lavar roupa. Estender roupa. Arrumar. Limpar. Fazer almoço. Arrumar cozinha. Apanhar roupa. Lavar roupa. Estender roupa. Fazer bolo de chocolate. Limpar a cozinha. Arrumar milhares de peças de roupa. Tentar dar banho ao Manuel. Inundar involuntariamente a casa-de-banho ao encher a banheira. Secar casa de banho. Retirar tampa da porcaria da banheira de hidromassagem (vão por mim, nunca queiram uma banheira de hidromassagem). De rabo para o ar, tirar a água do chão debaixo da banheira. Dar, finalmente, banho ao Manuel. Um momento de distracção e - o Manuel mostra-me orgulhoso o cocó que fez na banheira. Pescar cocós da água. Retirar rapidamente todos os brinquedos e o Manuel da banheira. Dar um duche ao Manuel. Secá-lo, vesti-lo. Limpar a banheira. Fazer o jantar a horas para os dois esfomeados que chegam da natação.
Sento-me à mesa e anuncio que não faço mais nada hoje, que estou cansada. O Lucas olha-me num misto de surpresa e pena:
- Não sabia que tinha uma mãe tão frágil.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
28 de Janeiro de 2008
Foi há dois anos - o dia mais comprido e mais difícil da minha vida. O dia em que entreguei o meu filho aos médicos para que lhe fizessem coisas indizíveis, mas necessárias. Passados dois anos, a sensação que tenho é que, se fosse hoje, não seria capaz. E, no entanto, sei que seria. Tinha que ser. Nada até hoje como a operação do Manuel me poderia ter tornado tão claro que crescemos mesmo com as nossas tarefas.
Mais uma vez, hoje penso também no Samuel, que vimos partir, mesmo ali ao nosso lado, e parecia que estava a dormir... Em como estarão o seu pai, o irmão, a avó, após dois anos sem ele. Penso na Joana, que percorria hábil os corredores do hospital numa cadeira de rodas com pesos de vários quilos presos à cabeça. Penso nos bebés recém-nascidos que não podiam estar em casa, aninhados no colo da mãe.
O Manuel tinha 6 meses. Agora olho para ele, tão crescido, e nem acredito que passámos por tudo isso. Que ele passou tanto. O meu pequeno grande herói.
Mais uma vez, hoje penso também no Samuel, que vimos partir, mesmo ali ao nosso lado, e parecia que estava a dormir... Em como estarão o seu pai, o irmão, a avó, após dois anos sem ele. Penso na Joana, que percorria hábil os corredores do hospital numa cadeira de rodas com pesos de vários quilos presos à cabeça. Penso nos bebés recém-nascidos que não podiam estar em casa, aninhados no colo da mãe.
O Manuel tinha 6 meses. Agora olho para ele, tão crescido, e nem acredito que passámos por tudo isso. Que ele passou tanto. O meu pequeno grande herói.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O Meu Blog Não Dava Um Programa De Rádio
Existem várias razões pelas quais tenho votado este meu insignificante espacinho virtual a um, ainda assim, não merecido abandono. Falta de tempo, falta de vontade, disciplina, falta dela, falta de inspiração, falta de jeito, mil coisas para dizer e não saber se, como e por onde começar.
Passámos uns dias no nosso refúgio num lugar perdido onde voltámos a ver, finalmente, muita água, muito verde, muitas poças para saltar (viva as galochas!) e seres delicados que surgiam por todo o lado no caminho e nos levavam a andar aos ziguezagues. (Mas confesso: a cozinheira em mim não pôde deixar de sonhar com um belo molho de natas)

Passámos uns dias no nosso refúgio num lugar perdido onde voltámos a ver, finalmente, muita água, muito verde, muitas poças para saltar (viva as galochas!) e seres delicados que surgiam por todo o lado no caminho e nos levavam a andar aos ziguezagues. (Mas confesso: a cozinheira em mim não pôde deixar de sonhar com um belo molho de natas)
Bom ano novo.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Traduções fantásticas - 1
Sob o risco de transformar definitivamente este lugar num aglomerado de parvoíces que só interessam mesmo a mim, inicio aqui uma nova rúbrica sobre algo que me faz rir como uma totó. Ossos do ofício.
Trata-se de traduções, como dizer? ... erradas, daquelas que acertam mesmo ao lado, e que muitas vezes passam despercebidas ao comum dos mortais, normalmente desatento a estes detalhes e preocupado com coisas mais essenciais. Mas a mim, elas deliciam-me os ouvidos e olhos de mulher das línguas (salvo seja).
Pergunto-me muitas vezes se o tradutor era mesmo mau, se estava distraído ou se, na verdade, por detrás daquela pérola está um artista não reconhecido, que pega numa frase desinteressante e transforma um contexto normal numa obra-prima do insólito.
E começo com uma frase de um filme que vi há muitos anos, e que finalmente tenho a oportunidade de registar (yay!):
Numa cena romantica, o casal pega em duas taças de champanhe. Estão de frente um para o outro, olhos nos olhos.
E então ele diz para ela: Let's make a toast.
Legenda: Vamos fazer uma torrada.
Claro! Estou apaixonado por ti, quero pedir-te em casamento. Isto tem que ser comemorado. Pousa lá o copo e vamos ali à cozinha fazer uma torrada.
Trata-se de traduções, como dizer? ... erradas, daquelas que acertam mesmo ao lado, e que muitas vezes passam despercebidas ao comum dos mortais, normalmente desatento a estes detalhes e preocupado com coisas mais essenciais. Mas a mim, elas deliciam-me os ouvidos e olhos de mulher das línguas (salvo seja).
Pergunto-me muitas vezes se o tradutor era mesmo mau, se estava distraído ou se, na verdade, por detrás daquela pérola está um artista não reconhecido, que pega numa frase desinteressante e transforma um contexto normal numa obra-prima do insólito.
E começo com uma frase de um filme que vi há muitos anos, e que finalmente tenho a oportunidade de registar (yay!):
Numa cena romantica, o casal pega em duas taças de champanhe. Estão de frente um para o outro, olhos nos olhos.
E então ele diz para ela: Let's make a toast.
Legenda: Vamos fazer uma torrada.
Claro! Estou apaixonado por ti, quero pedir-te em casamento. Isto tem que ser comemorado. Pousa lá o copo e vamos ali à cozinha fazer uma torrada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Pronto. Não resisti e inscrevi-me no facebook.
Mas, desconfiada como sou com estas coisas, utilizei uma espécie de nome de código. Resultado: todos os amigos que contacto não acreditam que sou eu. Em compensação, recebo diariamente mensagens de pessoas que não conheço e que querem ser minhas amigas.
Mas, desconfiada como sou com estas coisas, utilizei uma espécie de nome de código. Resultado: todos os amigos que contacto não acreditam que sou eu. Em compensação, recebo diariamente mensagens de pessoas que não conheço e que querem ser minhas amigas.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
O Melhor do Mundo

É quase impossível - e até indesejável - manter a harmonia constante entre dois irmãos. Já desejável, mas também muito difícil é ser-se sempre imparcial, não tomar partido, ficar em terreno neutro quando há guerra aberta no quarto das crianças. Ir lá quando o mais pequeno irrompe em choro de partir o coração e dizer simplesmente "então o que aconteceu?" em vez de gritar um irado "o que é que tu fizeste ao teu irmão?!" Ensiná-los que partilhar é melhor do que possuír.
Como impedir que o mais velho se vingue no mais novo das maldades que lhe fazem na escola? Como fazê-lo entender que não deve fazer uso do facto de ser maior e mais forte para conseguir o que quer?
Mas depois... os momentos em que brincam juntos, as palhaçadas do mais velho a arrancar gargalhadas de perder o fôlego ao mais novo, a alegria nos olhos quando acordam de manhã e se vêem ou quando chegam a casa à tarde, relembram-nos que ter um irmão é algo único e insubstituível, e fazem-nos renovar toda a vontade de ajudá-los a construír uma relação forte, a ver que podem ser os melhores amigos e ser um pilar um para o outro, para toda a vida.
domingo, 29 de novembro de 2009
Diálogos com o Manuel
Ao lanche:
- Não quéle ête ó-ute, quéle ête.
- Então e este iogurte, é para quem?
- Siôla.
- Qual senhora?
- Siôla amlela.
- E onde é que está a senhora amarela?
- Foi loja Meste Andé.
E é isto. Passa-se uns dias em casa com os miúdos e estas tornam-se as conversas mais interessantes e profundas que se têm.
- Não quéle ête ó-ute, quéle ête.
- Então e este iogurte, é para quem?
- Siôla.
- Qual senhora?
- Siôla amlela.
- E onde é que está a senhora amarela?
- Foi loja Meste Andé.
E é isto. Passa-se uns dias em casa com os miúdos e estas tornam-se as conversas mais interessantes e profundas que se têm.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Coisas do Lucas 22
Estava a contar ao Lucas que um menino na minha escola se tinha portado muito mal. Estragou as coisas dos colegas e até foi mal criado para a professora.
Olhos esbugalhados, expressão de incredulidade:
- E depois??
- Depois falaram com a mãe dele e agora vai ter um castigo.
- E és tu que lhe vais dar o castigo?
- Eu?! Porquê?
- É que tu dás uns castigos muito bons.
Obrigada, filho. Com elogios destes, quem precisa de críticas?
Olhos esbugalhados, expressão de incredulidade:
- E depois??
- Depois falaram com a mãe dele e agora vai ter um castigo.
- E és tu que lhe vais dar o castigo?
- Eu?! Porquê?
- É que tu dás uns castigos muito bons.
Obrigada, filho. Com elogios destes, quem precisa de críticas?
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