terça-feira, 5 de março de 2013

Coisas do Lucas 45

- Mãe, se não houvesse aulas, a minha escola era o melhor lugar do mundo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A esquizofrenia dos dias

9 e meia da manhã: Uau! Tenho o dia todo até ter de sair. Adoro ter um horário diferente de toda a gente.
5 e meia da tarde: M€&*@. Detesto ter de ir trabalhar quando toda a gente está a voltar para casa.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Falar ou não, eis a questão

Fosse eu carneiro ou touro, um bicho desses que enfrenta e vai em frente, nem que seja contra a parede, e o problema não se me poria. Mas esta dependência da harmonia e do equilíbrio que me vem da balança dá mais dores de cabeça do que se batesse com ela contra um muro.
Ok, ok, deixemos de por as culpas nos astros. É o feitio que é parvo mesmo.
Se tenho uma relação pacífica com alguém que minimamente prezo, fecho os olhos a pequenos defeitos, desculpo ações menos simpáticas, desde que inofensivas, para evitar conflitos. Bem sei que por detrás de um bom conflito pode estar um manancial de riqueza e crescimento, mas eu não tenho jeito para a coisa e a realidade, no final das contas, não é bem assim. A verdade é que as pessoas amuam ou esfriam e nada volta a ser como dantes.
Ah e tal, e depois ficas com as coisas entaladas na garganta e a envenenarem-te por dentro. Não fico nada. Esqueço-me depressa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Todas as Palavras de Amor

Querida Ana C., que bom ter agora um rosto e uma voz para colar aos textos que leio no blog. Adorei conhecer-te. És tão genuína quanto imaginei. E o teu livro é maravilhoso. Comecei a lê-lo ontem e já estou presa. É muito engraçado rever-te nas cartas da Alice, reconhecer situações, sim, que isto de ler alguém durante anos a fio faz com que deixemos de ser apenas leitores do blog e torna-nos leitores da vida. Ainda bem que fui parar aqui, há uns 5 anos atrás, ainda bem que ontem saí da minha zona de desconforto, citando a terapeuta da amiga da Melissa :) e fui às Amoreiras ver-te, ainda que sozinha e a sentir-me meio deslocada. Voltei para casa toda contente. Obrigada!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Arrepios

que sinto ao ouvir de olhos fechados esta canção, hoje que penso num amigo com quem, com 18 anos, há 20 anos atrás, ouvi Jacques Brel até à exaustão. 
Finalement, Finalement, il nous fallut bien du talent
pour être vieux sans être adultes...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

As Conversas do Manuel 14

- E depois eu estava à bulha no recreio com o M...
(O Manuel está a contar-me o seu dia na escola.)
- À bulha? Mas por que é que andavam à bulha?
- Mãe, no recreio há muitos meninos que andam à bulha. Só não há bulhas no mundo das hello kitties.
(Ah. Realmente, nesse eu também não gostava de viver.)    

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sr. Andrew K.



Hoje, ia eu carregar o meu cartão do metro, quando reparei que estava um cartão de crédito esquecido na máquina, pertencente ao Sr. Andrew K.
Sr. Andrew K., se estiver a ler isto, fui eu que encontrei o seu cartão. Caso não me contacte até ao final do dia, deduzo que não precisa dele e vou fazer umas comprinhas aqui na net, ok?

Brincadeirinha, Sr. Andrew K. Entreguei logo o cartão ao senhor da bilheteira. Queria só agradecer-lhe por me ter dado a oportunidade de fazer uma boa ação, que fiquei contente para o resto do dia. Mas não repita, que nos tempos que correm até os mais honestos podem cair em tentações, e nem se pode criticá-los por isso. Vá, nao é preciso agradecer nem retribuir. Pay it forward!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

As Conversas do Manuel 13

- Mãe, o que se promete tem que se cumprir.
- Pois.
- E quem não cumpre, é porque não prometeu bem.
(Por acaso faço tudo para cumprir o que prometo, mas, pelo sim pelo não, é melhor lembrar-me desta.)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012 em 12 palavras

Joana. Flores. Alcoutim. Annika. Dublin. Cuamba. Julia. Crescimento. Felicidade. Angústia. Trabalho. Saudade.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Praia

Eu devia saber que, indo com os meus filhos à praia, seja fevereiro ou outubro, agosto ou dezembro, não consigo mantê-los fora da água. Ningém ficou doente. Todos ficaram felizes.

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Isto de as minhas amigas estarem espalhadas pelos quatro cantos da Europa destroça-me. Sim, a internet. Claro, a aldeia global. Mas, não atiremos areia para os olhos. A dura verdade é que tudo se vive de longe. Partilha-se à distância, as vivências esbatem-se e é tão doloroso o abraço que não podemos dar. O coração não se coaduna com o skype, muito menos com facebooks e e-mails. Não estar por perto quando nasce um bebé, por exemplo, é suficientemente insuportável. E saber que os nossos filhos não vão poder brincar com os filhos das nossas amigas sempre que apeteça. Passar as roupas de uns para os outros. Ir às festas de anos, beber um café rápido, fazer uma visita ao sábado à tarde. Sabemos que tem que ser.
Mas: e quando há um acidente e sabemos que há uma amiga que precisava da ajuda de todos os braços que estivessem por perto, e os nossos tão longe? Desesperante.
Como não estar lá para uma amiga que vê um filho morrer? De uma angústia avassaladora. 
E, agora, como não dar a mão a uma amiga que fica a saber que o resto da sua vida depende do crescimento de um tumor fulminante? Que fica a saber que não vai estar cá para ver os filhos crescer? Sabê-la a passar pelo momento em que tem que os preparar para o impossível, passar a viver sem a mãe
Como despedir-me de um amiga pela internet, sabendo que cada e-mail pode ser o último, que este será provavelmente o seu último Natal, que nunca mais vamos estar frente a frente a uma mesa a beber chá?
E o que responder quando as más motícias se sucedem, quando as palavras se tornaram ocas e a única resposta possível não se escreve nem se diz, porque tem o silêncio de um abraço?



Ser amigo não rima com distância.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pantufas de sementes

Sem dúvida, o melhor investimento deste inverno.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Despedidas - a segunda...

Sinto pelo meu irmão, por ser quase 9 anos mais novo do que eu, um amor parecido ao que se tem pelos filhos. A idade, porém, é apenas um pretexto. O meu irmão é das pessoas mais maravilhosas que conheço. Calmo, divertido, tolerante e preocupado com questões verdadeiramente essenciais, traz o espírito de missionário no sangue. Lembro-me bem da primeira vez que o vi, através do vidro do berçário, com o seu fato azul às riscas e os seus grandes olhos castanhos, no primeiro dia da nossa vida de irmãos. Depois cresceu assim, de repente, saiu-me do colo e dos braços e voou. Agora, o skype será a nossa sala de convívio nos próximos 13 meses em que a sua casa será Cuamba, Moçambique. Porque o desenvolvimento é o envolvimento de todos, e é tão bom saber que há pessoas como o meu irmão e a mulher, que se envolvem todos nesta causa e vão agora, provavelmente, viver o ano mais inesquecível das suas vidas. Que põem a civilização com os seus valores em stand by e nos mostram que, afinal, há coisas tão maiores do que o nosso emprego, a nossa casa, o nosso espaço de conforto. Tenho muito orgulho em ti, mano!  


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Despedidas – a primeira



A vida é complexa e dura. Insensível. As coisas acontecem(-nos) e não temos outro remédio, é encaixar e seguir em frente. Quanto mais cedo percebermos isto, melhor.
Perdoem-me a rudeza de hoje. Mas a minha amiga vai-se embora e eu estou triste.

domingo, 16 de setembro de 2012

Até as mais longas férias chegam um dia ao fim



Sim, já disse e repito que adoro o verão no norte da europa e este ano não foi diferente. Mas, caramba, não já nada como um final de setembro quente no sul, junto ao mar. Ver os miúdos correr livres pela praia, a dar asas ao que ainda os liga ao que é instintivo e natural antes de voltarem para mais um ano de formatação rumo aos seres civilizados que terão tempo de ser. Fazer caminhadas ao pôr do sol, pés dentro de água e olhos fechados e sentir a luz inundar-me. Precaver-me: reunir e armazenar o que posso de energia, munir-me de momentos e lugares bons aonde possa voltar, com parcimónia, durante este ano que agora começa e que promete ser exigente com o meu pobre coração.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ervilhas ou O maior Quebra-Corações da Península Ibérica mora na minha casa

Enquanto que o Lucas devora, como o mais voraz roedor, cenouras, pimento, pepinos em conserva e toda a espécie de fruta, o Manuel é menos verde e, não fosse a sopa que me obrigo a fazer regularmente, e aquele corpito não teria qualquer célula com participação do grupo das verduras.
Ainda assim, vamos insistindo, e eis que hoje havia ervilhas no meio do arroz (no prato do Manuel eram cerca de 5).
- Mãe, não gosto de ervilhas.
...
- Mãe, não quero as ervilhas.
...
- Mãããe, eu não gosto das ervilhas....
...
- MÃE, não vou comer as ervilhas!!!
....
(olho para o prato dele)
- Comeste as ervilhas?!?!
- Sim, mas só porque foste tu a pedir. Pela minha mamã faço tudo.

(Já me vejo, daqui a uns 10 anos, a entregar-lhe o número do cartão de crédito com um sorriso embevecido depois de uma frase deste género.)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Constatações

Sei que o meu papel principal neste momento é o de mãe quando
1 - olho sempre que oiço uma criança na rua gritar "Mããããe!";
2 - estico as orelhas quando ouço alguém falar de crianças/educação/escolas/disciplina;
3 - nos roubam o rádio do carro e fico aliviada por não terem levado os assentos dos miúdos.
 
Boas férias!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Gatos, pardais e outros arraiais

Um pardal caiu do ninho. Alguém o apanhou. Um menino, que adora tudo o que é bicho, viu e quis levá-lo para casa. A mãe deixou, ainda que na verdade estivessem ali para ver outro tipo de animal, nomeadamente os gatos do tio. 
A caminho de casa, passaram pela feira medieval que estava a decorrer no parque. Viram cavaleiros e donzelas com belos vestidos. Comeram bifanas no pão e brincaram com brinquedos de outros tempos. Quando voltaram, o carro ainda estava lá, mas o passarinho tinha desaparecido misteriosamente. Sem deixar rasto. Aflição. Drama. Choro de crianças. Oito olhos e quatro lanternas em acção, sem sucesso algum. Uma incógnita.
Uma semana mais tarde, lá diz o ditado, longe dos olhos... Já ninguém pensa muito no pobre piu-piu e no seu sumiço. Mas vem a ser que o problemático neste caso não são os olhos, mas sim o nariz. Eis que a viatura começa a feder. Um cheiro pestilento de cada vez que se abre as portas não deixa esquecer que um cadaverzinho ali se encontra, nos chassis, qui çá em alguma recôndita ranhura.
Não terá sido o primeiro pardal a cair do ninho, nem será o último. Nem todos temos sorte nesta vida. O problema surge, mais uma vez, quando os humanos teimam em interferir no percurso dos fenómenos da natureza, quando está mais que provado que daí sai bronca.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Movimento Vamos Ressuscitar o Arquivo

Pelo 2º ano consecutivo, vou inscrever o Manuel na escola no Lucas. No ano passado não teve vaga, por isso, este ano, com um grande suspiro para tomar coragem, repetimos o processo. Dirijo-me à secretaria da escola sede do agrupamento para comprar os impressos e fico a saber que este ano são grátis, além de ser menos a papelada a preencher. Boa! O número de fotocópias e afins que é preciso anexar continua a ser o mesmo, mas ainda assim. Apodera-se de mim um acesso de esperança e entro na secretaria da escola.
- Bom dia. Já que estão a optimizar o processo das inscrições, queria perguntar se é possível fornecerem-me a inscrição do meu filho do ano passado, para aproveitar as fotografias, as fotocópias de documentos, etc. Assim evitava-se o desperdício de recursos e do meu tempo.
- Ah, não pode ser.
- Porquê?
- Porque o processo já não está cá.
- Então onde está? Foi para o lixo?
- Não, foi enviado para a escola onde inscreveu o menino no ano passado.
- Mas se ele não entrou?!
- Pois, mas os processos ficam em arquivo morto.
- Ah... 
(Imagino uma sala na pequena escola com envelopes amontoados até ao tecto, a cheirar a mofo, com uma placa na porta: Arquivo Morto - Entrada Interdita a Estranhos. Imagino-me, na calada da noite, a entrar lá com uma máquina destruidora de papel e, envelope a envelope, enquanto dou risadinhas maquiavélicas, transformar o Arquivo Morto num monte de serpentinas, com que as crianças brincariam no dia seguinte enquanto as professoras tomavam café, atordoadas com o mistério do Arquivo Ressuscitado.)

domingo, 6 de maio de 2012

As Conversas do Manuel 12

Estou a mexer numa gaveta quando o Manuel vislumbra lá dentro os meus velhinhos papelotes.
- Mãe, o que é isto?
- Isto serve para fazer caracóis.
- Ah... 
(segura um na mão, com ar intrigado, e depois dá leves pancadinhas no cucuruto)
- E como é que se faz, batemos com eles assim na cabeça?