sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ana Cássia Rebelo confirmed you as a friend on Facebook

Ser amiga da Ana Cássia Rebelo no feicebuque é mais ou menos como frequentar o mesmo café que o meu actor preferido.
Like.

terça-feira, 20 de março de 2012

Live to tell



Voltava eu para casa à noite quando, fazendo zapping radiofónico no carro, dou com esta canção. E, de repente, toda uma letra sai da minha boca sem qualquer esforço. Ainda sei de cor cada palavra, a minha voz entoa cada nuance, volto a arrepiar-me tal como quando era adolescente e a ouvia no escuro do meu quarto, agarrada à almofada e vivendo com toda a intensidade o dramatismo típico dos 14 anos que não precisa de motivos para acontecer. Caramba, que flashback.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tell me a tale



Este rapaz mostra que é possível ter 24 anos e uma voz antiga, reconfortante. Música de outros tempos, feita em 2011. Maravilhoso.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sufoco

Eu sei que quem não tem filhos já está farto desta conversa e revira os olhos com o que soa a presunção, mas não me lixem. Quem não tem filhos simplesmente não pode saber. Ter filhos significa entrar numa nova dimensão em que a escala que mede os sentimentos literalmente explode. Em ambas as direcções. Qual extasy, qual spacecake, perto do enebriamento que se sente ao ver um filho feliz. No outro extremo, o sufoco que é supor um filho doente com alguma coisa estranha da qual nunca se ouviu falar é como estar dentro de uma cápsula cinzenta enquanto a vida acontece à nossa volta. Estamos ali, mas não estamos. Hoje, enquanto ia pela terceira vez meter moedas no parquímetro (três vivas para a pontualidade das consultas em hospitais públicos, hip hip, hurray!) sentia o sol a bater-me forte na cara e, no entanto, ele não me trazia nenhum calor.
E depois, finalmente. Um médico que desdramatiza e nos explica com toda a calma que não há razões para pânicos. Que, em princípio, o Lucas é assim porque é o Lucas. Que o normal não existe e que os desvios do "percentil 50", gravado a ferro e fogo na cabeça da minha geração de mães, fazem parte do colorido da vida. Um médico que apetece abraçar, não fosse o embaraço que causaria a ambas as partes (isso e estarmos a ter a consulta praticamente no corredor).
Agora, é esperar pelos próximos exames e fazer figas para que ele tenha razão. Que os doces olhos azuis-acinzentados do meu menino não sejam mais do que diferentes, por serem os dele.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Palavrões

Achei que tinha tido a minha dose de choque para a vida quando, numa tarde quente de outubro, há uns anos atrás, com o meu bebé de 2 meses ao colo, ouvi de um médico o palavrão "escafocefalia".
Enganei-me.
Hoje, com o outro filhote, já tão crescido e todo feliz da vida por ter andado de metro, tive que ouvir outro. É apenas uma suspeita e, por isso, resisto a introduzir o palavrão no google. Recuso esse auto-flagelo e espero - ah, a espera, como consegue ser terrível a espera - pela próxima semana, altura em que, talvez, venhamos a saber mais.
E tudo o que senti há 4 anos e meio atrás volta com a mesma intensidade. Mas sem o factor surpresa. Em vez dele, uma sensação de estar dorida com pancada que já levei. A sensação de já ter estado neste lugar. Como um tsunami que me invade os dias e leva tudo à frente.
E, mais uma vez, sentindo que me passaram para as mãos um pacote que não posso, mas tenho que carregar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

As Conversas do Manuel 11 ou Como não Morrer de Amor por Este Menino?

Assim, de repente aparece na cozinha:
- Mama, ich liebe meine ganze Familie.*
* Mãe, eu amo a minha família inteira.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Coisas do Lucas 44 ou Como A Palavra de 2011 Já Penetrou na Cabeça dos Mais Novos

Estamos na fronteira, à nossa frente corre fresco o Guadiana, a observar os barcos e o casario branco da localidade quase-espelho na outra banda. Como sou a única que já lá esteve, conto como são as coisas do outro lado, logo ali, e ao mesmo tempo tão longe: que as pessoas falam outra língua. Que dormem a siesta. Que dantes costumava atravessar o rio com amigos e tinhamos que esperar que as lojas voltassem a abrir às 5 para comprarmos gelados com pesetas. Que ali tudo parece mais organizado, mais arrumadinho. Menos pobrezinho.
O Lucas remata logo, em defesa da sua camisola:
- Mas, também, eles não têm medidas de austeridade!
(Filho, aos 8 anos eu nunca tinha sequer ouvido essa palavra, muito
menos pensado nela. Lamento que ela já faça parte activa do teu vocabulário e te inquiete o espírito...)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Barcelona

Não sou propriamente esquisita no que diz respeito a destinos de viagens. Para mim, viajar, só por si, já tem fascínio suficiente. Quando era mais nova, chegava a ir ao aeroporto só para sentir o cheiro a viagens, perder-me num mar de gente a chegar e a partir.
Mas Barcelona é, de facto, mesmo para fasquias ma
is altas do que a minha, uma cidade fascinante.
Lá encontrei uma irresistível mistura de coisas boas e que, pelos vistos, afinal podem coexistir: por um lado, a alegria de Espanha, o pituresco, as ruas cheias a toda a hora (apesar do frio, muito), as palavras de sílabas abertas e sonoras, ditas com uma auto-confiança que parece vir nos genes. Por outro, a organização da Europa do norte: o sistema de bicicletas públicas, a organização dos transportes em geral, a conservação do património. É outro mundo, mesmo aqui ao lado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Grizzly Man

Respeito e admiro a coragem. Respeito e admiro o amor pelos animais, pela natureza, pela vida selvagem. Rejeito o fundamentalismo. De qualquer espécie.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coisas do Lucas 43

O Lucas está a ler. Na história há uma senhora de idade que tem um livro muito especial. Parece que o livro lhe conta a história da sua própria vida. Ao acabar de ler o livro, a senhora recosta-se para trás na cadeira de baloiço e fecha os olhos. Agora, o Lucas deve inventar um final para a história. Criativo como é, não me espanto quando prontamente diz:
- Já sei o que aconteceu.
- Sim? O que é que achas que aconteceu? (Imagino as coisas mais mirabolantes)
- A velha morreu.

domingo, 22 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Joana

Querida Joana,
queria contar-te uma história. É a tua história, a parte dela que eu vivi, que foi tão mais pequena do que eu gostaria.
Primeiro, há 7 anos atrás, a notícia. Lembro-me do riso e do espanto, da felicidade e do receio que partilhei com a tua mãe numa certa manhã de outono. O teu irmão com poucos meses de vida e já tu vinhas a caminho.
Depois, lembro-me da tua mãe, Mulher forte, sempre prática e despachada, carregando um bebé na barriga e outro no colo para todo o lado. Das idas dela para a praia, sozinha com o teu irmão de um ano e um barrigão de 8 meses. E logo, em Agosto, da alegria que veio com a mensagem do teu pai, avisando-nos da tua chegada.
Pouco tempo depois, as aflições começaram. A tua luta pela vida, a luta dos teus pais por ti. Não há maior tormento do que saber que o nosso bebé não está bem. Que tem que ser submetido a inúmeras intervenções médicas quando só queríamos estar em casa e tê-lo aconchegado a nós.
Seguiram-se meses e anos em que os nossos amigos deram a volta ao seu mundo para que tu estivesses o melhor possível. Para que a tua casa não fosse sempre um hospital. Surgiu Paris como o melhor lugar para tu viveres. E foi para lá que foram. Primeiro a dois, depois a quatro.
Os teus pais são um exemplo de força e coragem, a prova de que tudo é possível, basta que a vontade seja do tamanho do amor por um filho. Vira-se a mesa e recomeça-se, sem lamentos desnecessários. Aprende-se a fazer massagens respiratórias. A fazer tratamentos e mudar catéteres intravenosos. Arranja-se um quarto em casa onde tudo tem que estar esterilizado. Deixam-se empregos. Deixa-se a casa. Muda-se de país. Muda-se a vida toda.
Quando nos vimos pela última vez, era já mais que evidente o teu delicioso sotaque francês. Sentadas a uma mesa do aeroporto Charles de Gaulle, lemos juntas a história do bolo desaparecido e ensinaste-me a dizer canard. Passeei com a tua mãe por corredores intermináveis, empurrando o teu carrinho e falando de um presente que era um limbo e de um futuro que era um grande ponto de interrogação.

E agora assim, de repente, esta notícia que me esmaga e me deixa o olhar ausente e as acções lentas. Queria tanto estar ao pé da tua mãe.
Como disse uma vez aqui, Joana, foste a menina mais doce que conheci. Estarás sempre no meu coração.


sábado, 31 de dezembro de 2011

2012



Que seja positivo e sem aflições demasiadas.

Que consigamos chegar ao lugar onde nos sentimos em casa, por mais árduo que seja o caminho.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

As Conversas do Manuel 10

- Manuel, jogamos uma partida de badminton?
- SIIIIMMMM!!!!
Saltos de alegria e entusiasmo, seguidos de uma expressão intrigada.
- O que é badminton?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

As Conversas do Manuel 9 ou Dicas Preciosas

- Mamã, quando estiveres em cima de um vulcão e o vulcão explodir, tens que saltar para não apanhares com a lava.

Ok, filho.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Coisas de irmãos

(Depois de ver o Lucas a falar eloquentemente com o Manuel)
- Mãe, vou dar o meu chocolate do calendário do advento ao Lucas, porque gosto muito dele.

- Hm hm. E o Lucas também te vai dar o dele a ti?
- Hm... Não sei. Vou-lhe perguntar.
E vai-se embora aos saltinhos e a cantarolar.
É tão bom enquanto os irmãos mais novos ainda não notam que os mais velhos fazem uso da sua ingenuidade.
Feliz Natal!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

As Conversas do Manuel 8

- Mami, se eu não te tivesse chorava mil vezes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Coisas que aquecem o coração de uma mãe


O Lucas colocou os seus quase 8 anos num retângulo de 20x10 cm que me deixou de lágrima no canto do olho.
(Se eu tivesse que contar a minha vida num desenho, também gostava de conseguir retratar assim tantos momentos coloridos. É um bom exercício. Devia tentar.)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia Mundial da Poupança - like

Em vez de tanto comprar e vender, bora lá dar e receber.

sábado, 29 de outubro de 2011

Ainda sobre os abutres

Não posso evitar. De cada vez que passo por uma dessas lojas que compram ouro, imagino velhinhas desfazendo-se dos brincos e fios que passaram de geração em geração, tirando-os de estojos amarelecidos e pondo-os em cima do balcão, para poderem continuar a pagar a renda e a comprar comida... Imagino também, do outro lado do balcão, homens de olhos semi-cerrados a colocar as peças em cima de uma mini-balança. "43 euros por esta pulseira.", "Só? Mas é de ouro de 18 quilates, foi uma prenda do meu pai para a minha mãe...", "Pois, infelizmente não posso fazer nada, é o preço a que ele está." E sorri, mostrando um canino de ouro que cintila à luz da lâmpada fluorescente.
Depois, sacudo a cabeça e, com um suspiro, mudo de faixa para ultrapassar os inúmeros carros que estacionam em 2ª fila na Av. Almirante Reis.
(Quase tanto como a existência dos próprios estabelecimentos, irrita-me o facto de ler em letras enormes nas suas montras "16€ A GRAMA". "Grama" é um substantivo do género masculino. O grama. Onde é que está a ASAE nestes casos?)