terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coisas do Lucas 43

O Lucas está a ler. Na história há uma senhora de idade que tem um livro muito especial. Parece que o livro lhe conta a história da sua própria vida. Ao acabar de ler o livro, a senhora recosta-se para trás na cadeira de baloiço e fecha os olhos. Agora, o Lucas deve inventar um final para a história. Criativo como é, não me espanto quando prontamente diz:
- Já sei o que aconteceu.
- Sim? O que é que achas que aconteceu? (Imagino as coisas mais mirabolantes)
- A velha morreu.

domingo, 22 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Joana

Querida Joana,
queria contar-te uma história. É a tua história, a parte dela que eu vivi, que foi tão mais pequena do que eu gostaria.
Primeiro, há 7 anos atrás, a notícia. Lembro-me do riso e do espanto, da felicidade e do receio que partilhei com a tua mãe numa certa manhã de outono. O teu irmão com poucos meses de vida e já tu vinhas a caminho.
Depois, lembro-me da tua mãe, Mulher forte, sempre prática e despachada, carregando um bebé na barriga e outro no colo para todo o lado. Das idas dela para a praia, sozinha com o teu irmão de um ano e um barrigão de 8 meses. E logo, em Agosto, da alegria que veio com a mensagem do teu pai, avisando-nos da tua chegada.
Pouco tempo depois, as aflições começaram. A tua luta pela vida, a luta dos teus pais por ti. Não há maior tormento do que saber que o nosso bebé não está bem. Que tem que ser submetido a inúmeras intervenções médicas quando só queríamos estar em casa e tê-lo aconchegado a nós.
Seguiram-se meses e anos em que os nossos amigos deram a volta ao seu mundo para que tu estivesses o melhor possível. Para que a tua casa não fosse sempre um hospital. Surgiu Paris como o melhor lugar para tu viveres. E foi para lá que foram. Primeiro a dois, depois a quatro.
Os teus pais são um exemplo de força e coragem, a prova de que tudo é possível, basta que a vontade seja do tamanho do amor por um filho. Vira-se a mesa e recomeça-se, sem lamentos desnecessários. Aprende-se a fazer massagens respiratórias. A fazer tratamentos e mudar catéteres intravenosos. Arranja-se um quarto em casa onde tudo tem que estar esterilizado. Deixam-se empregos. Deixa-se a casa. Muda-se de país. Muda-se a vida toda.
Quando nos vimos pela última vez, era já mais que evidente o teu delicioso sotaque francês. Sentadas a uma mesa do aeroporto Charles de Gaulle, lemos juntas a história do bolo desaparecido e ensinaste-me a dizer canard. Passeei com a tua mãe por corredores intermináveis, empurrando o teu carrinho e falando de um presente que era um limbo e de um futuro que era um grande ponto de interrogação.

E agora assim, de repente, esta notícia que me esmaga e me deixa o olhar ausente e as acções lentas. Queria tanto estar ao pé da tua mãe.
Como disse uma vez aqui, Joana, foste a menina mais doce que conheci. Estarás sempre no meu coração.


sábado, 31 de dezembro de 2011

2012



Que seja positivo e sem aflições demasiadas.

Que consigamos chegar ao lugar onde nos sentimos em casa, por mais árduo que seja o caminho.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

As Conversas do Manuel 10

- Manuel, jogamos uma partida de badminton?
- SIIIIMMMM!!!!
Saltos de alegria e entusiasmo, seguidos de uma expressão intrigada.
- O que é badminton?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

As Conversas do Manuel 9 ou Dicas Preciosas

- Mamã, quando estiveres em cima de um vulcão e o vulcão explodir, tens que saltar para não apanhares com a lava.

Ok, filho.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Coisas de irmãos

(Depois de ver o Lucas a falar eloquentemente com o Manuel)
- Mãe, vou dar o meu chocolate do calendário do advento ao Lucas, porque gosto muito dele.

- Hm hm. E o Lucas também te vai dar o dele a ti?
- Hm... Não sei. Vou-lhe perguntar.
E vai-se embora aos saltinhos e a cantarolar.
É tão bom enquanto os irmãos mais novos ainda não notam que os mais velhos fazem uso da sua ingenuidade.
Feliz Natal!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

As Conversas do Manuel 8

- Mami, se eu não te tivesse chorava mil vezes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Coisas que aquecem o coração de uma mãe


O Lucas colocou os seus quase 8 anos num retângulo de 20x10 cm que me deixou de lágrima no canto do olho.
(Se eu tivesse que contar a minha vida num desenho, também gostava de conseguir retratar assim tantos momentos coloridos. É um bom exercício. Devia tentar.)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia Mundial da Poupança - like

Em vez de tanto comprar e vender, bora lá dar e receber.

sábado, 29 de outubro de 2011

Ainda sobre os abutres

Não posso evitar. De cada vez que passo por uma dessas lojas que compram ouro, imagino velhinhas desfazendo-se dos brincos e fios que passaram de geração em geração, tirando-os de estojos amarelecidos e pondo-os em cima do balcão, para poderem continuar a pagar a renda e a comprar comida... Imagino também, do outro lado do balcão, homens de olhos semi-cerrados a colocar as peças em cima de uma mini-balança. "43 euros por esta pulseira.", "Só? Mas é de ouro de 18 quilates, foi uma prenda do meu pai para a minha mãe...", "Pois, infelizmente não posso fazer nada, é o preço a que ele está." E sorri, mostrando um canino de ouro que cintila à luz da lâmpada fluorescente.
Depois, sacudo a cabeça e, com um suspiro, mudo de faixa para ultrapassar os inúmeros carros que estacionam em 2ª fila na Av. Almirante Reis.
(Quase tanto como a existência dos próprios estabelecimentos, irrita-me o facto de ler em letras enormes nas suas montras "16€ A GRAMA". "Grama" é um substantivo do género masculino. O grama. Onde é que está a ASAE nestes casos?)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Tristes sinais da crise #1

As lojas que compram ouro a surgir como cogumelos. Fazem-me lembrar abutres (assim como assim, mais vale lojas chinesas...).

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Questões existenciais de trazer por casa

Giro quantas vezes o ser humano chega durante a vida a conclusões brilhantes e iluminadas que depois, no correr dos dias, esquece e mais tarde volta a descobrir com redobrado entusiasmo (ver posts anteriores). Quantas epifanias suporta uma vida? E o que faz com que elas, de facto, a alterem (para melhor) de forma duradoura?

sábado, 8 de outubro de 2011

It's just another manic Saturday

Saio de manhã, estradas vazias, uma cidade a despertar.
À medida que me afasto de casa, vão ficando pelo caminho os sentimentos negativos.

Subo a minha rua: A vida é dura! Queria ter dormido, pelo menos, mais duas horas!
Entro na auto-estrada:
É tão injusto... Fim-de-semana, toda a gente fica em casa e eu tenho que ir trabalhar.
2ª circular: Ainda bem que não há transito. E olha que bom que está o tempo.
Centro da cidade: Ah! Que inspiradora é a manhã!
Carro estacionado mesmo em frente ao local de trabalho: Hurra! O parquímetro só funciona de segunda a sexta! E não me lembrava de este jardim ser tão bonito!

Em cerca de 15 km, passo do Calimero à Abelha Maia.
As horas passam a correr. O que faz falta é animar a malta. E, quando dou por isso, já estou a arrumar o estaminé para me ir embora.
Chego à hora de almoço, cheia de saudades e de calma e de paciência e de vontade de passar tempo com os meus meninos.
Sim, é mais uma fatia que retiro ao já pequeno bolo de tempo que tenho com eles... mas que assim também se torna mais delicioso.
Trabalhar aos sábados é a pimenta do meu fim-de-semana.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"Remembering that I'll be dead soon is the most important tool I've ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything - all external expectations, all pride, all fear of embarrassement or failure - these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart."

Steve Jobs

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Do que afinal gosto no verão em Portugal:

Da certeza de poder usar sandálias.

Dias, semanas, meses seguidos. Está bem, eu queixo-me da canícula e gosto dos dias nublados com 25 graus e adoro o verão no norte da Europa, tão refrescante e verde, mas isto tenho que confessar. Nunca saber se vai chover ou não, arriscar-me a voltar para casa de pés molhados, ter que ter os sapatos impermeáveis sempre a pronto e decidir a cada manhã se o chão lá fora está suficientemente molhado ou o céu suficientemente nublado, a justificar a sua entrada em acção... e depois afinal o sol decidir sair e andar horas a fio de pés fumegantes dentro do calçado sintético... É demasiada incerteza para mim. Quero poder andar de penante ao léu de Junho a Setembro (Maio a Outubro?) e não ter que pensar mais nisso. Vá, chamem-me fútil.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

38

Ouvia eu com interesse há uns tempos a autora deste livro afirmar com eloquência que o melhor da vida começa mesmo aos 40. Porque só então estamos preparados para viver o melhor. Para vivê-lo melhor. Dizia ela que, podendo voltar a ter 20, rejeitaria a oportunidade. Pela serenidade e pela paz só aos 40 se alcançam.
E a verdade é que começo a ter um vislumbre.

(Que refrescante que é fazer anos no mesmo dia do google.)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Saudades de Berlim...




Saudades de 2
semanas irreais, de uma liberdade inebriante e já esquecida, de uma cidade que pulula de energia e elan.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Irrita-me

Falar com pessoas mais novas do que eu e ter a sensação de que são muito mais velhas, de tantas certezas e tão pouca tolerância que têm.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Aceitar o que não se pode mudar

O que aconteceu.
O que foi dito.
O que foi feito.
É tão óbvio.
Também devia ser simples.