"A melhor viagem é a que fazemos quando somos jovens e ainda vamos a tempo de aceitar as mudanças que a vida, o mundo, o caminho nos sugerem e nos apontam. A partir de uma certa idade (a da rigidez, do conforto, da falta de horizontes) já não somos viajantes, apenas transportamos as nossas certezas e preconceitos de cidade em cidade, de paisagem em paisagem, de encontro em encontro."
Li hoje esta frase do viajante Gonçalo Cadilhe e fui imediatamente transportada para os meus 20 anos. Eu viajei assim, ainda permeável, e foram tantas as mudanças que o mundo e o caminho fizeram em mim. Hoje sou o que sou (esta espécie de ave rara) em grande parte por ter mudado de país aos 20 anos e ter visto e experimentado modos de viver tão diferentes.
Ah, como invejo estas pessoas...
sexta-feira, 3 de junho de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Amido de Milho
Tenho o Manuel metido num caldo de Maizena.
(Para os leigos e não-progenitores, explico: isto é linguagem de código entre as mães e que significa "O meu filho está com varicela".)
Qualquer mãe experiente está ao corrente do facto de que o o prurido provocado pelas erupções desta benigna, mas irritante doença infantil é suavizado pelas propriedades calmantes do amido de milho. (É isso e a criança fica um bocado pálida, por isso não esquecer de enxaguar).
Prurido e erupções são o que não falta à minha pobre cria. Já não sei onde acabam as borbulhas e começa o Manuel. Tem-nas em sítios tão espantosos como dentro dos ouvidos, do nariz, da boca e até dos olhos, sem falar nos que não vou mencionar explicitamente e que assaz o incomodam.
Estamos nisto há dois dias e diz que é coisa para durar até 10. Venham eles.
(Para os leigos e não-progenitores, explico: isto é linguagem de código entre as mães e que significa "O meu filho está com varicela".)
Qualquer mãe experiente está ao corrente do facto de que o o prurido provocado pelas erupções desta benigna, mas irritante doença infantil é suavizado pelas propriedades calmantes do amido de milho. (É isso e a criança fica um bocado pálida, por isso não esquecer de enxaguar).
Prurido e erupções são o que não falta à minha pobre cria. Já não sei onde acabam as borbulhas e começa o Manuel. Tem-nas em sítios tão espantosos como dentro dos ouvidos, do nariz, da boca e até dos olhos, sem falar nos que não vou mencionar explicitamente e que assaz o incomodam.
Estamos nisto há dois dias e diz que é coisa para durar até 10. Venham eles.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Bora lá então
Depois de um dia em que as más notícias se sucedem, e quando pensamos que o dia já está no fim, acabamos a tarde em lágrimas e a noite no médico... só resta mesmo tocar em frente.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Como ispilico?
Lucas: Mãe, quando eu morrer também vou ruscitar?
Mãe: É REssuscitar. E não sei.
Lucas: Mas se Jesus ruscitou por que é que eu não posso ruscitar?
Mãe: Mas Jesus era uma pessoa especial.
Lucas (com indignação na voz): E eu não sou uma pessoa especial?!
Mãe: Sim, claro que és, mas Jesus era o filho de Deus.
Manuel: Mas Deus não é nenhuma mãe.
Epá, não me querem fazer antes perguntas sobre a vida de Buda? Hm?
Mãe: É REssuscitar. E não sei.
Lucas: Mas se Jesus ruscitou por que é que eu não posso ruscitar?
Mãe: Mas Jesus era uma pessoa especial.
Lucas (com indignação na voz): E eu não sou uma pessoa especial?!
Mãe: Sim, claro que és, mas Jesus era o filho de Deus.
Manuel: Mas Deus não é nenhuma mãe.
Epá, não me querem fazer antes perguntas sobre a vida de Buda? Hm?
quinta-feira, 28 de abril de 2011
As conversas do Manuel 9
Ao final do dia, a caminho de casa.
- Então, o que é que fizeste hoje na escola?
- Já me esqueci pol causa do vento.
- Então, o que é que fizeste hoje na escola?
- Já me esqueci pol causa do vento.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
As conversas do Manuel 8
Estou à espera que o Manuel saia do carro, mas está demorado porque decidiu despir o casaco.
- Por que é que estás a despir o casaco agora?
- Polque estou com um calôle do calaças.
- Por que é que estás a despir o casaco agora?
- Polque estou com um calôle do calaças.
sábado, 9 de abril de 2011
A Nossa Nova Amiga de 4 Patas
Estou na cozinha a comer um iogurte e a olhar lá para fora quando vejo, de repente, na parede ao fundo, algo a mexer-se rapidamente e a desaparecer por detrás do vaso dos recém-plantados e verdejantes framboeseiros.
Acostumada a passar as férias de verão no interior algarvio, as osgas não me são propriamente seres estranhos. Convivemos com tolerância, desde que o espaço individual seja mutuamente respeitado (isto é, elas nas paredes exteriores e telhados, ou escondendo-se entre as canas do tecto da cozinha, e eu cá em baixo a, pelo menos, vários metros de distância. (Dizem que elas de vez em quando se deixam cair lá de cima, mas eu ignoro esses boatos certamente criados para inquietar raparigas citadinas. Nunca vi nem quero ver.)
Tivemos até já alguns encontros imediatos, sendo que o destino da criatura dependeu sempre da companhia em que eu estava. Da primeira vez, há muitos anos atrás, estava com uma amiga mais medrosa do que eu, e após algumas tentativas falhadas de expulsar a intrusa do quarto, acabámos por usar o que se veio a provar serem horrendos métodos de tortura. Poupo-vos os detalhes, digo apenas que envolveu spray para o cabelo, duas raparigas dando gritinhos histéricos e uma morte lenta do bicho rastejante (eu sei, eu sei que foi cruel e vou sentir remorsos para o resto dos meus dias).
A segunda teve mais sorte, pois após recuperar do ataque que quase tive ao ver mais um exemplar desta espécie sair a alta velocidade do meu saco de viagem quando me preparava para por lá dentro as minhas roupas, chamei os gajos da casa, que conseguiram apanhá-la com uma grande caixa de plástico transparente e passaram o resto da tarde numa aula de ciências da natureza, admirando as fascinantes patas com ventosas, o belo tom verde do corpo, os olhos salientes e o ventre que parece de goma, antes de a soltarem nos campos. (Não sem antes fazerem experiências tão divertidas como colocar dentro da caixa bonecos da playmobil, e observar como ela reagia. Bah.)
Até ontem eu era já, pois, uma quase-especialista em osgas. Ainda assim, daí a ter uma na minha própria casa é toda uma nova dimensão.
Pelo que, depois do jantar, assim que as crianças se levantaram da mesa (não me estava propriamente a apetecer que fossem lá para fora arrastar vasos à procura da espantosa bicha), disse baixinho e com gravidade ao marido:
- Temos uma osga no terraço.
...
Não noto qualquer reacção. O rosto não manifesta a mínima alteração. Depois percebo porquê.
- Eu sei. É a nossa osga. Já vive connosco há vários anos.
Ah. Então está bem. Sendo assim, já fico descansada. E eu que tinha acabado de preencher os censos.
Acostumada a passar as férias de verão no interior algarvio, as osgas não me são propriamente seres estranhos. Convivemos com tolerância, desde que o espaço individual seja mutuamente respeitado (isto é, elas nas paredes exteriores e telhados, ou escondendo-se entre as canas do tecto da cozinha, e eu cá em baixo a, pelo menos, vários metros de distância. (Dizem que elas de vez em quando se deixam cair lá de cima, mas eu ignoro esses boatos certamente criados para inquietar raparigas citadinas. Nunca vi nem quero ver.)
Tivemos até já alguns encontros imediatos, sendo que o destino da criatura dependeu sempre da companhia em que eu estava. Da primeira vez, há muitos anos atrás, estava com uma amiga mais medrosa do que eu, e após algumas tentativas falhadas de expulsar a intrusa do quarto, acabámos por usar o que se veio a provar serem horrendos métodos de tortura. Poupo-vos os detalhes, digo apenas que envolveu spray para o cabelo, duas raparigas dando gritinhos histéricos e uma morte lenta do bicho rastejante (eu sei, eu sei que foi cruel e vou sentir remorsos para o resto dos meus dias).
A segunda teve mais sorte, pois após recuperar do ataque que quase tive ao ver mais um exemplar desta espécie sair a alta velocidade do meu saco de viagem quando me preparava para por lá dentro as minhas roupas, chamei os gajos da casa, que conseguiram apanhá-la com uma grande caixa de plástico transparente e passaram o resto da tarde numa aula de ciências da natureza, admirando as fascinantes patas com ventosas, o belo tom verde do corpo, os olhos salientes e o ventre que parece de goma, antes de a soltarem nos campos. (Não sem antes fazerem experiências tão divertidas como colocar dentro da caixa bonecos da playmobil, e observar como ela reagia. Bah.)
Até ontem eu era já, pois, uma quase-especialista em osgas. Ainda assim, daí a ter uma na minha própria casa é toda uma nova dimensão.
Pelo que, depois do jantar, assim que as crianças se levantaram da mesa (não me estava propriamente a apetecer que fossem lá para fora arrastar vasos à procura da espantosa bicha), disse baixinho e com gravidade ao marido:
- Temos uma osga no terraço.
...
Não noto qualquer reacção. O rosto não manifesta a mínima alteração. Depois percebo porquê.
- Eu sei. É a nossa osga. Já vive connosco há vários anos.
Ah. Então está bem. Sendo assim, já fico descansada. E eu que tinha acabado de preencher os censos.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Coisas de irmãos 4
Já foi há uns meses. Lembro-me de, um dia, olhar para o Manuel e pensar:
"Estranho. Ainda há pouco tempo me parecia que tinha que lhe cortar a franja muito em breve, e agora já não? Hm." (Isto não diz nada de bom sobre mim, eu sei.)
Foi então que olhei mais atentamente e fez-se luz. A irregularidade daquela franja não deixava dúvidas. Tinha andado ali tesoura alheia.
Fui investigar. Não foi preciso ser perita para encontrar uns tufos de cabelo debaixo da cama.
- Manuel, quem é que te cortou o cabelo?
(com a maior naturalidade) - Foi o Lucas.
- Luuuuuuuuuuuuuucaaaaaaaaaaaas!!!
- O que foi?
- Tu cortaste o cabelo ao teu irmão???!
- Então, ele pediu!
Tipo: a mãe nunca mais trata disto, dá tu aí uma mãozinha. E o outro: ok, eu trato disso. Chega-te aqui. Pronto. Olha, ficou um bocado torto, mas não faz mal, ninguém nota.
(E é verdade, ninguém notou!!!)
E agora, o que fazemos aos cabelos?, Deitamos fora., Na, deixa que eu meto-os aqui debaixo da cama.
(Ao menos eliminavam as provas, não?)
...
A dúvida: fico contente e orgulhosa com estas manifestações de autonomia, ou esbofeteio-me por ser uma mãe distraída e incompetente?
"Estranho. Ainda há pouco tempo me parecia que tinha que lhe cortar a franja muito em breve, e agora já não? Hm." (Isto não diz nada de bom sobre mim, eu sei.)
Foi então que olhei mais atentamente e fez-se luz. A irregularidade daquela franja não deixava dúvidas. Tinha andado ali tesoura alheia.
Fui investigar. Não foi preciso ser perita para encontrar uns tufos de cabelo debaixo da cama.
- Manuel, quem é que te cortou o cabelo?
(com a maior naturalidade) - Foi o Lucas.
- Luuuuuuuuuuuuuucaaaaaaaaaaaas!!!
- O que foi?
- Tu cortaste o cabelo ao teu irmão???!
- Então, ele pediu!
Tipo: a mãe nunca mais trata disto, dá tu aí uma mãozinha. E o outro: ok, eu trato disso. Chega-te aqui. Pronto. Olha, ficou um bocado torto, mas não faz mal, ninguém nota.
(E é verdade, ninguém notou!!!)
E agora, o que fazemos aos cabelos?, Deitamos fora., Na, deixa que eu meto-os aqui debaixo da cama.
(Ao menos eliminavam as provas, não?)
...
A dúvida: fico contente e orgulhosa com estas manifestações de autonomia, ou esbofeteio-me por ser uma mãe distraída e incompetente?
sábado, 19 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
A minha pátria, que língua é?
Quem lida, como eu, com várias línguas, talvez me possa confirmar esta teoria: uma pessoa transforma-se quando fala noutra língua.
Já tive algumas vezes a seguinte experiência: habituada a falar com alguém, por motivos profissionais, sempre numa determinada língua, ao fim de algum tempo julgo conhecer essa pessoa (no sentido de que sei o que esperar dela nos contextos em que nos cruzamos). Mas não. O que eu conheço é aquela pessoa naquele registo. Depois, por alguma razão, um dia, ouço a mesma pessoa a falar outra língua e, de repente, estou perante um desconhecido. A razão obriga-me a manter a familiaridade adquirida, mas emocionalmente estou cheia das inibições de quem está no processo de conhecer/descobrir alguém, misturadas com a supresa de ver a mesma forma com um recheio diferente. (É parecido com a sensação de, num filme dobrado, ouvirmos um actor que conhecemos bem, com outra voz, e a falar outra língua).
É surpreendente e nem sempre é bom. Já me aconteceu achar que simpatizava com alguém com quem falava sempre em inglês e, um dia, ouvi-a falar em português e fiquei horrorizada porque era uma tia de Cascais.
Agora dizem-me: ah, mas a língua é só um meio, e o que está por detrás não se altera. Pode não se alterar, mas a língua arrasta consigo uma atitude, uma visão do mundo, e mostra talvez um lado nosso que noutra língua poderá não estar visível. A tal senhora de que falei talvez não dominasse um sotaque snob em inglês, ou talvez não lhe fizesse sentido mostrar o seu lado snob quando fala inglês.
Pronto, mudo a teoria: a língua que falamos não nos transforma, mas mostra algo de nós que poderá não ser visível noutra.
P.S.: Quero ver este filme.
Já tive algumas vezes a seguinte experiência: habituada a falar com alguém, por motivos profissionais, sempre numa determinada língua, ao fim de algum tempo julgo conhecer essa pessoa (no sentido de que sei o que esperar dela nos contextos em que nos cruzamos). Mas não. O que eu conheço é aquela pessoa naquele registo. Depois, por alguma razão, um dia, ouço a mesma pessoa a falar outra língua e, de repente, estou perante um desconhecido. A razão obriga-me a manter a familiaridade adquirida, mas emocionalmente estou cheia das inibições de quem está no processo de conhecer/descobrir alguém, misturadas com a supresa de ver a mesma forma com um recheio diferente. (É parecido com a sensação de, num filme dobrado, ouvirmos um actor que conhecemos bem, com outra voz, e a falar outra língua).
É surpreendente e nem sempre é bom. Já me aconteceu achar que simpatizava com alguém com quem falava sempre em inglês e, um dia, ouvi-a falar em português e fiquei horrorizada porque era uma tia de Cascais.
Agora dizem-me: ah, mas a língua é só um meio, e o que está por detrás não se altera. Pode não se alterar, mas a língua arrasta consigo uma atitude, uma visão do mundo, e mostra talvez um lado nosso que noutra língua poderá não estar visível. A tal senhora de que falei talvez não dominasse um sotaque snob em inglês, ou talvez não lhe fizesse sentido mostrar o seu lado snob quando fala inglês.
Pronto, mudo a teoria: a língua que falamos não nos transforma, mas mostra algo de nós que poderá não ser visível noutra.
P.S.: Quero ver este filme.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Traduções fantásticas - 2
Numa entrevista ao vivo, transmitida pela TV, George Lucas, o criador de Starwars, cita ao entrevistador a famosa frase da sua saga: "May the force be with you".
Logo seguido pela voz do tradutor simultâneo, que diz: "Dia quatro de Maio estarei consigo".
(Estaria a gozar? Teria bebido uns copos? O tradutor verdadeiro foi à casa-de-banho e pediu a alguém que ia a passar para o substituir? Seja como for, parabéns. Conseguiu deixar muita gente sem palavras e com aquele hilariante modo de olhar que diz: ã?)
Logo seguido pela voz do tradutor simultâneo, que diz: "Dia quatro de Maio estarei consigo".
(Estaria a gozar? Teria bebido uns copos? O tradutor verdadeiro foi à casa-de-banho e pediu a alguém que ia a passar para o substituir? Seja como for, parabéns. Conseguiu deixar muita gente sem palavras e com aquele hilariante modo de olhar que diz: ã?)
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Coisas do Lucas 39
- Mãe, o Manuel é um "ele" ou uma "ela"?
- O que é que tu achas?
- Um "ele".
- Claro. Como é que se sabe a diferença?
- É que as meninas são mais vaidosas, têm cabelos compridos e não dão puns mal-cheirosos.
- O que é que tu achas?
- Um "ele".
- Claro. Como é que se sabe a diferença?
- É que as meninas são mais vaidosas, têm cabelos compridos e não dão puns mal-cheirosos.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Coisas do Lucas 38
Fazendo o problema que veio da escola:
"A tia Aurora cria patos e porcos. Um dia, quando está a alimentá-los, ocorre-lhe que, todos juntos, os seus animais têm 34 patas. Quantos patos e quantos porcos tem a tia Aurora?"
(Deve, de facto, ser extremamente comum um agricultor estar a reflectir sobre o número total de patas dos animais que possui enquanto os alimenta. Mas adiante.)
O Lucas atira para o ar:
- 6 patos e 6 porcos.
Desenho toda esta bicharada e contamos.
- Isso dá 36 patas. São duas a mais, não é? O que fazemos para diminuir duas?
...
- Já sei! Um porco aleijou-se e já só tem duas patas.
"A tia Aurora cria patos e porcos. Um dia, quando está a alimentá-los, ocorre-lhe que, todos juntos, os seus animais têm 34 patas. Quantos patos e quantos porcos tem a tia Aurora?"
(Deve, de facto, ser extremamente comum um agricultor estar a reflectir sobre o número total de patas dos animais que possui enquanto os alimenta. Mas adiante.)
O Lucas atira para o ar:
- 6 patos e 6 porcos.
Desenho toda esta bicharada e contamos.
- Isso dá 36 patas. São duas a mais, não é? O que fazemos para diminuir duas?
...
- Já sei! Um porco aleijou-se e já só tem duas patas.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
As conversas do Manuel 7
Enquanto o sento no carro, depois de o ter ido buscar ao infantário:
- Mãe, cheiras a pincel. Cheiras a pincel vermelho.
(Psicólogos que me leem: devo preocupar-me?)
- Mãe, cheiras a pincel. Cheiras a pincel vermelho.
(Psicólogos que me leem: devo preocupar-me?)
domingo, 9 de janeiro de 2011
Coisas de Irmãos 3
- Manuel, anda.
...
- Manuel, anda!
...
- Manuel, anda!! Ou é preciso dar-te outra vez trinta carolos?
...
- Manuel, anda!
...
- Manuel, anda!! Ou é preciso dar-te outra vez trinta carolos?
sábado, 8 de janeiro de 2011
Coisas do Lucas 37
Na cozinha.
- Mãe, o que é que estás a fazer?
- A ralar uma cenoura.
- E não tens pena dela?
- Mãe, o que é que estás a fazer?
- A ralar uma cenoura.
- E não tens pena dela?
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Um cromo na minha caderneta
Ontem entrei no talho aqui do bairro para comprar um frango e estavam a tocar o We Are The World. Ainda nem me tinha apercebido de que há som ambiente no talho. Na verdade, vou lá muito pouco. Não comemos muita carne aqui em casa. Música ambiente no talho, que sofisticado. E ah, como eu adorava esta canção, como me arrepiava de emoção a ver o vídeoclip do Live Aid, as vezes que eu a cantei em frente à televisão, envergando um microfone imaginário.
E, de repente, fui transportada para 1985 e surgiu-me na mente uma cena na qual nunca mais tinha pensado. Como é possível? Devo ter reprimido isto! E hoje veio outra vez ao de cima, inesperadamente, tipo acto falhado. E logo no talho. Nem quero pensar que significados o Sigmund daria a isto.
Então foi assim:
Um dos monitores dos tempos livres que eu frequentava depois da escola no trabalho da minha mãe, mais dado a cantorias, resolveu um dia, talvez nas férias do Natal, reunir a canalha e fazer um We Are The World caseiro.
Não me lembro exactamente de como decorreu o processo de escolha dos artistas, mas deve ter sido qualquer coisa como:
- João, tu fazes de Bruce Springsteen, Ana, tu és a Diana Ross, tu, Cátia, a Tina Turner e tu, Jacinto, darias um belo Lionel Ritchie.
E por aí fora. De qualquer modo, a meio da distribuição de papéis, o monitor olhou em volta, como que à procura de alguém. E foi aí que seu olhar pousou em mim e ele proferiu a espantosa frase:
- Tu, és a Cindy Lauper perfeita.
Podem imagirar o choque que isto pode causar a uma pacata rapariga de 12 anos, nada dada a confusões, mas com a adolescência a querer brotar? Hoje voltei a sentir esse impacto. E não sei se foi bom.
E assim foi. Cantámos e, quando chegou a minha vez, eu não desperdicei a minha oportunidade e tentei imitar a exuberante Cindy, cantando a plenos pulmões. Duvido que tenha conseguido berrar com o mesmo estilo, mas a comparação é injusta. Eu não tinha o cabelo amarelo com madeixas vermelhas. Em vez disso, tinha franja e usava uns enormes óculos de massa castanhos. Mas a comoção que ambas sentimos por participar num coro assim, essa deve ter sido parecida.
Live aid - 1985 Usa For Africa - We Are The World
Adenda: Continuo a emocionar-me quando vejo este vídeo.
E, de repente, fui transportada para 1985 e surgiu-me na mente uma cena na qual nunca mais tinha pensado. Como é possível? Devo ter reprimido isto! E hoje veio outra vez ao de cima, inesperadamente, tipo acto falhado. E logo no talho. Nem quero pensar que significados o Sigmund daria a isto.
Então foi assim:
Um dos monitores dos tempos livres que eu frequentava depois da escola no trabalho da minha mãe, mais dado a cantorias, resolveu um dia, talvez nas férias do Natal, reunir a canalha e fazer um We Are The World caseiro.
Não me lembro exactamente de como decorreu o processo de escolha dos artistas, mas deve ter sido qualquer coisa como:
- João, tu fazes de Bruce Springsteen, Ana, tu és a Diana Ross, tu, Cátia, a Tina Turner e tu, Jacinto, darias um belo Lionel Ritchie.
E por aí fora. De qualquer modo, a meio da distribuição de papéis, o monitor olhou em volta, como que à procura de alguém. E foi aí que seu olhar pousou em mim e ele proferiu a espantosa frase:
- Tu, és a Cindy Lauper perfeita.
Podem imagirar o choque que isto pode causar a uma pacata rapariga de 12 anos, nada dada a confusões, mas com a adolescência a querer brotar? Hoje voltei a sentir esse impacto. E não sei se foi bom.
E assim foi. Cantámos e, quando chegou a minha vez, eu não desperdicei a minha oportunidade e tentei imitar a exuberante Cindy, cantando a plenos pulmões. Duvido que tenha conseguido berrar com o mesmo estilo, mas a comparação é injusta. Eu não tinha o cabelo amarelo com madeixas vermelhas. Em vez disso, tinha franja e usava uns enormes óculos de massa castanhos. Mas a comoção que ambas sentimos por participar num coro assim, essa deve ter sido parecida.
Live aid - 1985 Usa For Africa - We Are The World
Adenda: Continuo a emocionar-me quando vejo este vídeo.
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