quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"A água e o azeite nunca se hão-de misturar"

Começar o ano com uma ida ao teatro foi uma ideia e pêras.
O Miguel Guilherme é, sem dúvida, o meu actor português fa
vorito.
Conheço algumas pessoas como o senhor Puntila - que se alteram, para melhor, sob o efeito do álcool. Outras, nem tanto. O álcool deixa, como se diz em alemão,
saltar cá para fora o porco que há em nós. Mas em algumas pessoas é um leitãozinho simpático que aparece, muitas vezes a contrastar com a dureza que insistem em manter quando estão sóbrias.
Gostei muito e aconselho. E como não tenho jeito algum para crítica de teatro (nem de coisa nenhuma, por sinal), não vou fazer considerações sobre o estilo de Brecht, e fico-me por aqui. Só me atrevo a dizer mais que acho qu
e o Miguel Guilherme deve ser um pouco como o senhor Puntila quando está com os copos: um porreiraço.

imagem daqui

Fleece

Porém, e apesar de sofrer do síndrome do penante gélido (mãos também, agora que falo nisso), e de ser friorenta em geral, o meu sistema termo-regulador parece ter vida dupla. Debaixo do edredon, por exemplo, é o calor total. Não consigo entender como alguém consegue dormir com pijamas polares. E não são só pijamas desse material sintético que chegou para ficar, que não existem no meu armário. Não suporto camisolas e casacos em fleece. Só de pensar em vestir coisas em fleece, sufoco. Sem falar nos ataques de calor que me dão de repente, enquanto trabalho ou quando estou a comer, e é ver-me a almoçar de manga curta em Janeiro.
Tudo isto faz com que a minha indumentária tenha que se assemelhar sempre à de uma cebola. Comigo, há que haver sempre a possibilidade de ir retirando camadas.
Se, portanto, virem por aí alguém esbaforida, segurando nas mãos camisolas, casacos de malha e kispos, sou eu. Uma maçada.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Directamente da Austrália para os meus pés

Chegaram, vai fazer um ano, as minhas Ugg, para revolucionar a existência dos meus membros inferiores. Tinha lido maravilhas sobre a sua capacidade de manter os pés quentes. Por um lado, estava com um certo receio de publicidade enganosa, mas, por outro, ter os pés quentes no inverno não é uma questão a negligenciar, e também não queria experimentar as imitações, que eu e os sintéticos não nos damos bem. E, como sou uma pessoa que enfrenta os riscos com um sorriso, também não foi impeditivo o facto de comprar umas botas pela internet, prescindindo assim da possibilidade de as experimentar primeiro, o que, no que diz respeito a sapatos, digamos que até dá um certo jeito.
E vai daí e fiz o maior investimento da minha (já não tão curta q
uanto isso) vida na área do calçado, ainda que as tenha, suspostamente, adquirido por metade do preço por estarem em saldos. Esperei pacientemente mais de um mês. E finalmente, como diz o meu tio, fiquei com um andar novo. Desde então, só as guardei no verão e nunca mais senti os pés frios, maleita crónica que me perseguiu durante 36 penosos invernos. Ando com elas em casa e fora de casa, de manhã à noite, e adeus dores nos joanetes, good bye frieiras nos dedos dos pés, auf Wiedersehen chulé (sim, que os pezinhos mantêm-se quentes, mas secos).
E, ainda por cima, são giras que se farta. O seu único defeito é serem totalmente rasas, o que faz com que se pareça um bocado um pinguim a andar. But who cares?
Ugg allez allez!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Brincadeiras de rapazes - Mães de raparigas, leiam e regozijem-se

Nome da brincadeira: Brincar às rasteiras.
Objectivo: fazer o outro cair.
Regras: imprecisas. Vale tudo: fazer rasteiras com os pés, com as pernas, com os braços, com o corpo todo, atirar-se num golpe preciso para a frente dos pés do outro ou rastejar quando já se está no chão.
No decurso da brincadeira, os rapazes correm pela casa atrás um do outro e tentam fazer-se cair mutuamente. Quando um cai, o outro rejubila durante alguns momentos, até que o outro se levanta e lhe faz uma rasteira, fazendo-o cair a ele. E assim sucessivamente. Que os rapazes são básicos no que diz respeito a processos. Olham o objectivo e perseguem-no sem olhar para os lados. Já dizia o Caveman. Mas isso era outro post.

Um vaipe

... é o que quase me dá quando estou a (tentar) tratar de assuntos relacionados com as finanças, e ó que agora é tão fácil e dá para fazer tudo pela internet, mas ah, afinal não funciona, e hm, não dá mesmo, telefono mas é para lá a ver se me ajudam, mas oops, a senhora ao telefone diz que é muito complicado e se calhar é melhor ir lá e entregar a declaração em papel (sério? e eu, tola, a pensar q era mais rápido e prático usar a internet, essa ferramenta que afinal só complica?). Tento outra vez, ligo outra vez, faço uns truques et voilá, após algumas horas, consigo! Fecho a sessão e fico ali a olhar para o ecrã. E se não fosse o quase, ali estava o botão que me permitiria mandar tudo às couves e mudar de vida. Cessar a actividade. Tirava os miúdos da escola e íamos todos para a terra. Bastava um clique.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Tartarugas

Desde que fomos ao cinema ver este filme, a estreia cinematográfica do Manuel (e o difícil que foi encontrar isto sem ser em 3D? Que nós, como já disse, somos pessoas que não vão em muitas modernices, e isto das três dimensões em combinação com cérebros infantis a mim não me convence), tenho constantemente um Sammy e um Ray a rastejar pela casa. Eles nadam pelo oceano que separa a sala da cozinha, constroem uma casa nos recifes debaixo da mesa, escondem-se nos corais debaixo da cama.
Bom ano novo!


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Coisas do Lucas 35

- Mamã, tu és as mãe mais linda de todos os planetas. Sabes porquê?
- Não. Porquê?
(Sento-me, fecho os olhos e preparo-me para uma massagem ao ego.)
- Porque nos outros planetas não há mães. Porque os outros planetas ou são muito gelados, ou são muito quentes e não dá para viver lá.
(Ah. Ok. Fica para a próxima.)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Coisas de Irmãos 2

- Mãe, o Lucas é o meu namolado.
- Não sou nada teu namorado!
- És, és.
- Não, eu não posso ser teu namorado. Tu tens que arranjar é uma namorada fora da família. Não posso ser eu, nem o papá, nem a mamã. E quando te quiseres casar, mesmo que cases com um homem, tem que ser com um desconhecido. Mas é melhor arranjares uma mulher, senão não podes ter bebés.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Coisas de Irmãos

O Manuel chega a choramingar ao pé de mim. (adoro ouvi-lo a falar à chinês)
- Mããããe! O Lucas fez-me uma rasteila lá no qualto e eu caí e fiz um doi-doi!
O Lucas chega atrás, indignado.
- Ih! Granda mentira! Não foi no quarto, foi no corredor!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

As conversas do Manuel 6

Sábado, 5 e meia da tarde, lá fora está frio e anoitece. Vou dar com o Manuel sentado, sozinho, na penumbra da cozinha, a comer uma bolacha. Fico um momento a olhar para ele.
- Eu gosto de estar sozinho, mãe.
Diz-me este rapazinho que, com três anos e quase meio, tantas vezes me faz sentir pequenina, de tão grande que é.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Coisas do Lucas 34 ou Ida Natalícia aos Correios

Somos uma família que gosta de manter algumas tradições, uma delas tem como objectivo não substituir completamente os jogos de tabuleiro por jogos de vídeo, outra é continuar a enviar postais de Natal, até porque temos amigos e famelga que vivem longe.
De modo que, hoje, munida de uma sacola cheia de envelopes prontos a partir para os seus destinos, lá fui para os Correios, depois de ir buscar as crianças, que o pai hoje chega mais tarde.
Depois de tentarem arrombar as caixas de correio dos apartados, construirem uma casinha na cabine telefónica, fazerem rasteiras um ao outro (e não aos outros utentes, menos mal) e percorrerem todo o chão na posição horinzontal, o Lucas e o Manuel sentaram-se ao meu lado para fazer uma pequena pausa.
Nesse momento, entrou e posicionou-se ao meu lado um senhor de fato e gravata. Os meus filhos olharam-no de boca aberta, como se estivessem a ver o próprio Pai Natal. E o Lucas, que já me salvou de tantos embaraços devido ao facto de falar comigo em alemão, desta vez ia na onda e falou em português. E perguntou-me (por que é que eles perguntam estas coisas sempre tão alto?): Mãe, porque é que este está tão jeitoso?
(Fico sempre admirada com o novo vocabulário adquirido)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Só se for... na Tailândia?

Workshops, livros, sites, tudo a martelar um pobre professor. Não ponham os alunos perante frases irreais. Para que o processo de aprendizagem tenha sucesso, eles têm que ser confrontados com frases que possam usar na vida real. Coisas com contexto.
Hm hm. Aha. Okay.
E depois chego a casa e é isto.


P.S.: O pai também não tem mota nenhuma.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Também vos acontece?

Todos nós temos as nossas coisinhas a carregar nesta vida, e uma das que eu carrego e que me pesa muito é ter de andar quase 100 km de carro por dia, quatro dias por semana.
Eu sei que as viagens de 40 e tal km para cada lado são rápidas. Eu sei que nem tenho que sair cedo de casa e nem volto muito tarde (mas pago isto com a precariedade do meu trabalho, sim?). Também sei que até nem apanho trânsito e que as estradas que percorro estão em bom estado e nem têm muitas curvas.
Mas é a minha alma ecológica que me dói quando penso em todo o CO2 que eu, insignificante habitante do Planeta, lanço constantemente para a atmosfera. Há quem sonhe com Porsches e BMWs, eu sonho com um veículo movido a ar. Em noites loucas, sonho até que Lisboa é Estocolmo, os transportes públicos abundam e estão sempre ali quando precisamos deles, para nos levar a todo o lado. E, nessa cidade bela e funcional, eu ando sempre de autocarro, de eléctrico e de metro, vou levar e buscar os meus filhos, vou trabalhar e, às sextas à tarde, faço voluntariado numa agência florestal, onde planto árvores para me redimir da pegada ecológica que criei aquando dos meus tempos de diesel-dependente.

As minhas viagens de carro, porém, não me são desagradáveis per se. Oiço imensos programas interessantes na rádio, organizo pensamentos, lembro-me de coisas, resolvo assuntos, reflicto, falo com pessoas, falo comigo. E faço posts mentais. Se a tecnologia já estivesse assim tão avançada e os posts passassem directamente da mente para o blog, então eu escreveria cerca de 10 posts por dia. Eu tenho ideias giras, eu escrevo o post na minha cabeça, parágrafos, vírgulas, reticências, do princípio ao fim.
Mas o que acontece é que as minhas viagens de carro são uma espécie de mundo paralelo. Assim que saio do carro, sou engolida pela vida real. E, de repente, tudo se some. Sobre o que é que eu queria escrever mesmo? Bolas, aquela ideia era interessante.
Nada. Varre-se-me tudo e depois, quando (muito) mais tarde me sento em frente ao computador, a energia para escrever foi-se e o output dá lugar ao input.
É assim comigo.
Também vos acontece?

sábado, 27 de novembro de 2010

7 anos

Há 7 anos atrás, a esta hora, estava eu deitada na MAC, sabendo que daí a pouco tempo te iriam tirar de mim, mais hora menos hora. Tinha chegado a altura de nasceres, tu que desde o início foste rebelde e resolveste permanecer sentado, em vez de te colocares na posição de lançamento para o mundo.
E assim passámos a noite, à espera, e eu que sou tão impaciente, tive toda a paciência para esperar por ti.
Estava um pouco nervosa, mas sem medo, prestes a ser mãe pela primeira vez.
Tinha ouvido teorias de dezenas de mães acerca de toda e qualquer temática relacionada com bebés. Tinha lido livros e revistas e estudos e estava informada e preparada para tudo. Pensava eu.
Mas a verdade é que, às 8.13 da manhã, quando finalmente nasceste e me olhaste, curioso, com os teus grandes olhos azuis, percebi que afinal não sabia nada. De repente, quando te vi, o mundo virou-se ao contrário, tudo o que era até ali passou a ser de outra maneira, verdades passaram a ser relativas e o meu coração partiu para um mundo paralelo e desconhecido, e deixou de ser meu.
E agora já passaram 7 anos. Cada dia és um bocadinho menos o meu bebé, achas tu, mas eu digo-te que o vais ser para sempre. Porque quando te deitas no meu colo onde já mal cabes, basta fechar os olhos e tu tens outra vez 48 centímetros e os meus braços são o lugar mais feliz do mundo para ti.

domingo, 21 de novembro de 2010

As conversas do Manuel 5

Este meu filho continua a desarmar-me, dengoso, agora com conversas novas que só pode ter ouvido no infantário e com que me presenteia entre mimos e abraços:
- Mãe, és uma linda pinchesa. És a pinchesa com uma saia. És a Banca de Neve. E eu sou o pínchepe. E depois vais-me buscar à minha escola e vamos casar, okay?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sebastião

Quando, na minha idade, nos aparece inesperadamente no caminho uma amiga, uma amiga do coração, escaldadas que estamos pela vida, até desconfiamos. Mas depois o tempo vai passando e coisas vão-se vivendo e momentos vão-se partilhando e a certa altura parece que essa amiga sempre esteve lá.
E agora dou por mim emocionada e imensamente feliz por ter podido partilhar com a minha amiga a chegada do Sebastião, por ter visto uma barriga crescer e por poder ter ido a correr conhecê-lo quando, cheio de pressa, resolveu nascer.
Desejo ao Sebastião uma vida cheia de alegria.

Reinhard Mey - Mein Apfelbäumchen

Adenda:
Quando o meu primeiro filho nasceu, a minha amiga Annika enviou-me um cd com esta canção pelo correio. E eu, uma mãe de primeira viagem com um recém-nascido nos braços, enterrada até ao pescoço nos sentimentos avassaladores que só conhece quem segura no colo um filho acabado de nascer, chorava lágrimas de felicidade ao ouvi-la, porque ela conseguia por em palavras tudo o que eu sentia. Peço desculpa aos não-falantes desta língua germânica, mas é a canção mais bonita que eu conheço. E agora dedico-a à Sara e ao Sebastião.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As conversas do Manuel 4

Ontem na escola houve teatro de sombras chinesas. A história do S. Martinho.
Quando fui buscar o Manuel, a caminho do carro, pedi-lhe para me contar como foi.
Então foi assim:
- Estava ali um pobelito, e o S. Matinho patiu a sua capa e comelam o pão e comelam a maçã e depois veio o sol.
:)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

:)

Hoje fiz sopa de couve coração, enquanto o meu coração estava na Maternidade Alfredo da Costa, com a Elisa, a menina dos muitos nomes a quem devo tanto.
Entretanto liguei para lá e soube que nasceu o seu tão desejado menino.
Parto normal, como ela tanto queria.
É sempre com emoção que recebo estas notícias.
Parabéns e uma vida feliz...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Coisas do Lucas 33

Quase 9 da manhã na garagem, no auge do "vá, despacha-te" matinal, enquanto entramos para o carro mais as nossas 300000 malas e sacos, a correr para ir para a escola e para o trabalho, o Lucas, como sempre, não se deixa afectar pelo meu stress:

- Mãe, eu não sou os meus pés, nem as minhas mãos, nem o meu corpo, eu só os mexo. Eu sou só movimento.
- Ah...

Ainda estou a tentar encaixar esta.
Acho que o Lucas só não me diz que não é possível banharmo-nos duas vezes nas águas do mesmo rio, porque não temos o hábito de nos banhar em rios.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Halloween

Não sou mesmo nada fã da importação de tradições. Por isso, quando no infantário do Manuel pediram para trazer uma abóbora para festejar o Halloween, torci o nariz e só não me recusei porque não quis ser o chamado party-pooper.
Pelo que, depois de ter encomendado uma abóbora na frutaria, eis que hoje ao serão me entreguei à estimulante actividade de preparar a dita cuja, o que consistiu de 1. cortar uma tampa na abóbora, 2. retirar fios e sementes, 3. retirar do interior todo o recheio que conseguisse, para ao menos aproveitar e fazer uma sopa (entusiasmei-me nesta parte e fiz-lhe um buraco em baixo, mas ninguém vê).
Devo mencionar neste ponto que sou uma grande azelha com facas, pel
o que a execução destas tarefas equivaleu para mim mais ou menos a uma iniciação ao trapezismo, mas sem rede.
Não precisam, porém, de temer pela minha integridade física. Concluí o processo sem danos de maior, excepto para a abóbora, que sofre
u uns cortes desnecessários (ao contrário do que tinha imaginado, recortar formas na abóbora foi fácil. Pelo contrário, a faca desliza incontrolavelmente pela casca, e o difícil é fazê-la parar a tempo, como o observador mais atento reparará).
Et voilá o resultado.


Poderia agora dizer que gostei tanto da experiência que passei a adorar o Halloween, e vai ser ver-me a bater às portas da vizinhança na noite de 31 a pedir doçuras ou travessuras. Mas... não.