- Mamã, tu és as mãe mais linda de todos os planetas. Sabes porquê?
- Não. Porquê?
(Sento-me, fecho os olhos e preparo-me para uma massagem ao ego.)
- Porque nos outros planetas não há mães. Porque os outros planetas ou são muito gelados, ou são muito quentes e não dá para viver lá.
(Ah. Ok. Fica para a próxima.)
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Coisas de Irmãos 2
- Mãe, o Lucas é o meu namolado.
- Não sou nada teu namorado!
- És, és.
- Não, eu não posso ser teu namorado. Tu tens que arranjar é uma namorada fora da família. Não posso ser eu, nem o papá, nem a mamã. E quando te quiseres casar, mesmo que cases com um homem, tem que ser com um desconhecido. Mas é melhor arranjares uma mulher, senão não podes ter bebés.
- Não sou nada teu namorado!
- És, és.
- Não, eu não posso ser teu namorado. Tu tens que arranjar é uma namorada fora da família. Não posso ser eu, nem o papá, nem a mamã. E quando te quiseres casar, mesmo que cases com um homem, tem que ser com um desconhecido. Mas é melhor arranjares uma mulher, senão não podes ter bebés.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Coisas de Irmãos
O Manuel chega a choramingar ao pé de mim. (adoro ouvi-lo a falar à chinês)
- Mããããe! O Lucas fez-me uma rasteila lá no qualto e eu caí e fiz um doi-doi!
O Lucas chega atrás, indignado.
- Ih! Granda mentira! Não foi no quarto, foi no corredor!
- Mããããe! O Lucas fez-me uma rasteila lá no qualto e eu caí e fiz um doi-doi!
O Lucas chega atrás, indignado.
- Ih! Granda mentira! Não foi no quarto, foi no corredor!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
As conversas do Manuel 6
Sábado, 5 e meia da tarde, lá fora está frio e anoitece. Vou dar com o Manuel sentado, sozinho, na penumbra da cozinha, a comer uma bolacha. Fico um momento a olhar para ele.
- Eu gosto de estar sozinho, mãe.
Diz-me este rapazinho que, com três anos e quase meio, tantas vezes me faz sentir pequenina, de tão grande que é.
- Eu gosto de estar sozinho, mãe.
Diz-me este rapazinho que, com três anos e quase meio, tantas vezes me faz sentir pequenina, de tão grande que é.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Coisas do Lucas 34 ou Ida Natalícia aos Correios
Somos uma família que gosta de manter algumas tradições, uma delas tem como objectivo não substituir completamente os jogos de tabuleiro por jogos de vídeo, outra é continuar a enviar postais de Natal, até porque temos amigos e famelga que vivem longe.
De modo que, hoje, munida de uma sacola cheia de envelopes prontos a partir para os seus destinos, lá fui para os Correios, depois de ir buscar as crianças, que o pai hoje chega mais tarde.
Depois de tentarem arrombar as caixas de correio dos apartados, construirem uma casinha na cabine telefónica, fazerem rasteiras um ao outro (e não aos outros utentes, menos mal) e percorrerem todo o chão na posição horinzontal, o Lucas e o Manuel sentaram-se ao meu lado para fazer uma pequena pausa.
Nesse momento, entrou e posicionou-se ao meu lado um senhor de fato e gravata. Os meus filhos olharam-no de boca aberta, como se estivessem a ver o próprio Pai Natal. E o Lucas, que já me salvou de tantos embaraços devido ao facto de falar comigo em alemão, desta vez ia na onda e falou em português. E perguntou-me (por que é que eles perguntam estas coisas sempre tão alto?): Mãe, porque é que este está tão jeitoso?
(Fico sempre admirada com o novo vocabulário adquirido)
De modo que, hoje, munida de uma sacola cheia de envelopes prontos a partir para os seus destinos, lá fui para os Correios, depois de ir buscar as crianças, que o pai hoje chega mais tarde.
Depois de tentarem arrombar as caixas de correio dos apartados, construirem uma casinha na cabine telefónica, fazerem rasteiras um ao outro (e não aos outros utentes, menos mal) e percorrerem todo o chão na posição horinzontal, o Lucas e o Manuel sentaram-se ao meu lado para fazer uma pequena pausa.
Nesse momento, entrou e posicionou-se ao meu lado um senhor de fato e gravata. Os meus filhos olharam-no de boca aberta, como se estivessem a ver o próprio Pai Natal. E o Lucas, que já me salvou de tantos embaraços devido ao facto de falar comigo em alemão, desta vez ia na onda e falou em português. E perguntou-me (por que é que eles perguntam estas coisas sempre tão alto?): Mãe, porque é que este está tão jeitoso?
(Fico sempre admirada com o novo vocabulário adquirido)
sábado, 11 de dezembro de 2010
Só se for... na Tailândia?
Workshops, livros, sites, tudo a martelar um pobre professor. Não ponham os alunos perante frases irreais. Para que o processo de aprendizagem tenha sucesso, eles têm que ser confrontados com frases que possam usar na vida real. Coisas com contexto.
Hm hm. Aha. Okay.
E depois chego a casa e é isto.

P.S.: O pai também não tem mota nenhuma.
Hm hm. Aha. Okay.
E depois chego a casa e é isto.

P.S.: O pai também não tem mota nenhuma.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Também vos acontece?
Todos nós temos as nossas coisinhas a carregar nesta vida, e uma das que eu carrego e que me pesa muito é ter de andar quase 100 km de carro por dia, quatro dias por semana.
Eu sei que as viagens de 40 e tal km para cada lado são rápidas. Eu sei que nem tenho que sair cedo de casa e nem volto muito tarde (mas pago isto com a precariedade do meu trabalho, sim?). Também sei que até nem apanho trânsito e que as estradas que percorro estão em bom estado e nem têm muitas curvas.
Mas é a minha alma ecológica que me dói quando penso em todo o CO2 que eu, insignificante habitante do Planeta, lanço constantemente para a atmosfera. Há quem sonhe com Porsches e BMWs, eu sonho com um veículo movido a ar. Em noites loucas, sonho até que Lisboa é Estocolmo, os transportes públicos abundam e estão sempre ali quando precisamos deles, para nos levar a todo o lado. E, nessa cidade bela e funcional, eu ando sempre de autocarro, de eléctrico e de metro, vou levar e buscar os meus filhos, vou trabalhar e, às sextas à tarde, faço voluntariado numa agência florestal, onde planto árvores para me redimir da pegada ecológica que criei aquando dos meus tempos de diesel-dependente.
As minhas viagens de carro, porém, não me são desagradáveis per se. Oiço imensos programas interessantes na rádio, organizo pensamentos, lembro-me de coisas, resolvo assuntos, reflicto, falo com pessoas, falo comigo. E faço posts mentais. Se a tecnologia já estivesse assim tão avançada e os posts passassem directamente da mente para o blog, então eu escreveria cerca de 10 posts por dia. Eu tenho ideias giras, eu escrevo o post na minha cabeça, parágrafos, vírgulas, reticências, do princípio ao fim.
Mas o que acontece é que as minhas viagens de carro são uma espécie de mundo paralelo. Assim que saio do carro, sou engolida pela vida real. E, de repente, tudo se some. Sobre o que é que eu queria escrever mesmo? Bolas, aquela ideia era interessante.
Nada. Varre-se-me tudo e depois, quando (muito) mais tarde me sento em frente ao computador, a energia para escrever foi-se e o output dá lugar ao input.
É assim comigo.
Também vos acontece?
Eu sei que as viagens de 40 e tal km para cada lado são rápidas. Eu sei que nem tenho que sair cedo de casa e nem volto muito tarde (mas pago isto com a precariedade do meu trabalho, sim?). Também sei que até nem apanho trânsito e que as estradas que percorro estão em bom estado e nem têm muitas curvas.
Mas é a minha alma ecológica que me dói quando penso em todo o CO2 que eu, insignificante habitante do Planeta, lanço constantemente para a atmosfera. Há quem sonhe com Porsches e BMWs, eu sonho com um veículo movido a ar. Em noites loucas, sonho até que Lisboa é Estocolmo, os transportes públicos abundam e estão sempre ali quando precisamos deles, para nos levar a todo o lado. E, nessa cidade bela e funcional, eu ando sempre de autocarro, de eléctrico e de metro, vou levar e buscar os meus filhos, vou trabalhar e, às sextas à tarde, faço voluntariado numa agência florestal, onde planto árvores para me redimir da pegada ecológica que criei aquando dos meus tempos de diesel-dependente.
As minhas viagens de carro, porém, não me são desagradáveis per se. Oiço imensos programas interessantes na rádio, organizo pensamentos, lembro-me de coisas, resolvo assuntos, reflicto, falo com pessoas, falo comigo. E faço posts mentais. Se a tecnologia já estivesse assim tão avançada e os posts passassem directamente da mente para o blog, então eu escreveria cerca de 10 posts por dia. Eu tenho ideias giras, eu escrevo o post na minha cabeça, parágrafos, vírgulas, reticências, do princípio ao fim.
Mas o que acontece é que as minhas viagens de carro são uma espécie de mundo paralelo. Assim que saio do carro, sou engolida pela vida real. E, de repente, tudo se some. Sobre o que é que eu queria escrever mesmo? Bolas, aquela ideia era interessante.
Nada. Varre-se-me tudo e depois, quando (muito) mais tarde me sento em frente ao computador, a energia para escrever foi-se e o output dá lugar ao input.
É assim comigo.
Também vos acontece?
sábado, 27 de novembro de 2010
7 anos
Há 7 anos atrás, a esta hora, estava eu deitada na MAC, sabendo que daí a pouco tempo te iriam tirar de mim, mais hora menos hora. Tinha chegado a altura de nasceres, tu que desde o início foste rebelde e resolveste permanecer sentado, em vez de te colocares na posição de lançamento para o mundo.
E assim passámos a noite, à espera, e eu que sou tão impaciente, tive toda a paciência para esperar por ti.
Estava um pouco nervosa, mas sem medo, prestes a ser mãe pela primeira vez.
Tinha ouvido teorias de dezenas de mães acerca de toda e qualquer temática relacionada com bebés. Tinha lido livros e revistas e estudos e estava informada e preparada para tudo. Pensava eu.
Mas a verdade é que, às 8.13 da manhã, quando finalmente nasceste e me olhaste, curioso, com os teus grandes olhos azuis, percebi que afinal não sabia nada. De repente, quando te vi, o mundo virou-se ao contrário, tudo o que era até ali passou a ser de outra maneira, verdades passaram a ser relativas e o meu coração partiu para um mundo paralelo e desconhecido, e deixou de ser meu.
E agora já passaram 7 anos. Cada dia és um bocadinho menos o meu bebé, achas tu, mas eu digo-te que o vais ser para sempre. Porque quando te deitas no meu colo onde já mal cabes, basta fechar os olhos e tu tens outra vez 48 centímetros e os meus braços são o lugar mais feliz do mundo para ti.
E assim passámos a noite, à espera, e eu que sou tão impaciente, tive toda a paciência para esperar por ti.
Estava um pouco nervosa, mas sem medo, prestes a ser mãe pela primeira vez.
Tinha ouvido teorias de dezenas de mães acerca de toda e qualquer temática relacionada com bebés. Tinha lido livros e revistas e estudos e estava informada e preparada para tudo. Pensava eu.
Mas a verdade é que, às 8.13 da manhã, quando finalmente nasceste e me olhaste, curioso, com os teus grandes olhos azuis, percebi que afinal não sabia nada. De repente, quando te vi, o mundo virou-se ao contrário, tudo o que era até ali passou a ser de outra maneira, verdades passaram a ser relativas e o meu coração partiu para um mundo paralelo e desconhecido, e deixou de ser meu.
E agora já passaram 7 anos. Cada dia és um bocadinho menos o meu bebé, achas tu, mas eu digo-te que o vais ser para sempre. Porque quando te deitas no meu colo onde já mal cabes, basta fechar os olhos e tu tens outra vez 48 centímetros e os meus braços são o lugar mais feliz do mundo para ti.
domingo, 21 de novembro de 2010
As conversas do Manuel 5
Este meu filho continua a desarmar-me, dengoso, agora com conversas novas que só pode ter ouvido no infantário e com que me presenteia entre mimos e abraços:
- Mãe, és uma linda pinchesa. És a pinchesa com uma saia. És a Banca de Neve. E eu sou o pínchepe. E depois vais-me buscar à minha escola e vamos casar, okay?
- Mãe, és uma linda pinchesa. És a pinchesa com uma saia. És a Banca de Neve. E eu sou o pínchepe. E depois vais-me buscar à minha escola e vamos casar, okay?
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Sebastião
Quando, na minha idade, nos aparece inesperadamente no caminho uma amiga, uma amiga do coração, escaldadas que estamos pela vida, até desconfiamos. Mas depois o tempo vai passando e coisas vão-se vivendo e momentos vão-se partilhando e a certa altura parece que essa amiga sempre esteve lá.
E agora dou por mim emocionada e imensamente feliz por ter podido partilhar com a minha amiga a chegada do Sebastião, por ter visto uma barriga crescer e por poder ter ido a correr conhecê-lo quando, cheio de pressa, resolveu nascer.
Desejo ao Sebastião uma vida cheia de alegria.
Reinhard Mey - Mein Apfelbäumchen
Adenda:
Quando o meu primeiro filho nasceu, a minha amiga Annika enviou-me um cd com esta canção pelo correio. E eu, uma mãe de primeira viagem com um recém-nascido nos braços, enterrada até ao pescoço nos sentimentos avassaladores que só conhece quem segura no colo um filho acabado de nascer, chorava lágrimas de felicidade ao ouvi-la, porque ela conseguia por em palavras tudo o que eu sentia. Peço desculpa aos não-falantes desta língua germânica, mas é a canção mais bonita que eu conheço. E agora dedico-a à Sara e ao Sebastião.
E agora dou por mim emocionada e imensamente feliz por ter podido partilhar com a minha amiga a chegada do Sebastião, por ter visto uma barriga crescer e por poder ter ido a correr conhecê-lo quando, cheio de pressa, resolveu nascer.
Desejo ao Sebastião uma vida cheia de alegria.
Reinhard Mey - Mein Apfelbäumchen
Adenda:
Quando o meu primeiro filho nasceu, a minha amiga Annika enviou-me um cd com esta canção pelo correio. E eu, uma mãe de primeira viagem com um recém-nascido nos braços, enterrada até ao pescoço nos sentimentos avassaladores que só conhece quem segura no colo um filho acabado de nascer, chorava lágrimas de felicidade ao ouvi-la, porque ela conseguia por em palavras tudo o que eu sentia. Peço desculpa aos não-falantes desta língua germânica, mas é a canção mais bonita que eu conheço. E agora dedico-a à Sara e ao Sebastião.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
As conversas do Manuel 4
Ontem na escola houve teatro de sombras chinesas. A história do S. Martinho.
Quando fui buscar o Manuel, a caminho do carro, pedi-lhe para me contar como foi.
Então foi assim:
- Estava ali um pobelito, e o S. Matinho patiu a sua capa e comelam o pão e comelam a maçã e depois veio o sol.
:)
Quando fui buscar o Manuel, a caminho do carro, pedi-lhe para me contar como foi.
Então foi assim:
- Estava ali um pobelito, e o S. Matinho patiu a sua capa e comelam o pão e comelam a maçã e depois veio o sol.
:)
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
:)
Hoje fiz sopa de couve coração, enquanto o meu coração estava na Maternidade Alfredo da Costa, com a Elisa, a menina dos muitos nomes a quem devo tanto.
Entretanto liguei para lá e soube que nasceu o seu tão desejado menino.
Parto normal, como ela tanto queria.
É sempre com emoção que recebo estas notícias.
Parabéns e uma vida feliz...
Entretanto liguei para lá e soube que nasceu o seu tão desejado menino.
Parto normal, como ela tanto queria.
É sempre com emoção que recebo estas notícias.
Parabéns e uma vida feliz...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Coisas do Lucas 33
Quase 9 da manhã na garagem, no auge do "vá, despacha-te" matinal, enquanto entramos para o carro mais as nossas 300000 malas e sacos, a correr para ir para a escola e para o trabalho, o Lucas, como sempre, não se deixa afectar pelo meu stress:
- Mãe, eu não sou os meus pés, nem as minhas mãos, nem o meu corpo, eu só os mexo. Eu sou só movimento.
- Ah...
- Ah...
Ainda estou a tentar encaixar esta.
Acho que o Lucas só não me diz que não é possível banharmo-nos duas vezes nas águas do mesmo rio, porque não temos o hábito de nos banhar em rios.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Halloween
Não sou mesmo nada fã da importação de tradições. Por isso, quando no infantário do Manuel pediram para trazer uma abóbora para festejar o Halloween, torci o nariz e só não me recusei porque não quis ser o chamado party-pooper.
Pelo que, depois de ter encomendado uma abóbora na frutaria, eis que hoje ao serão me entreguei à estimulante actividade de preparar a dita cuja, o que consistiu de 1. cortar uma tampa na abóbora, 2. retirar fios e sementes, 3. retirar do interior todo o recheio que conseguisse, para ao menos aproveitar e fazer uma sopa (entusiasmei-me nesta parte e fiz-lhe um buraco em baixo, mas ninguém vê).
Devo mencionar neste ponto que sou uma grande azelha com facas, pelo que a execução destas tarefas equivaleu para mim mais ou menos a uma iniciação ao trapezismo, mas sem rede.
Não precisam, porém, de temer pela minha integridade física. Concluí o processo sem danos de maior, excepto para a abóbora, que sofreu uns cortes desnecessários (ao contrário do que tinha imaginado, recortar formas na abóbora foi fácil. Pelo contrário, a faca desliza incontrolavelmente pela casca, e o difícil é fazê-la parar a tempo, como o observador mais atento reparará).
Et voilá o resultado.

Poderia agora dizer que gostei tanto da experiência que passei a adorar o Halloween, e vai ser ver-me a bater às portas da vizinhança na noite de 31 a pedir doçuras ou travessuras. Mas... não.
Pelo que, depois de ter encomendado uma abóbora na frutaria, eis que hoje ao serão me entreguei à estimulante actividade de preparar a dita cuja, o que consistiu de 1. cortar uma tampa na abóbora, 2. retirar fios e sementes, 3. retirar do interior todo o recheio que conseguisse, para ao menos aproveitar e fazer uma sopa (entusiasmei-me nesta parte e fiz-lhe um buraco em baixo, mas ninguém vê).
Devo mencionar neste ponto que sou uma grande azelha com facas, pelo que a execução destas tarefas equivaleu para mim mais ou menos a uma iniciação ao trapezismo, mas sem rede.
Não precisam, porém, de temer pela minha integridade física. Concluí o processo sem danos de maior, excepto para a abóbora, que sofreu uns cortes desnecessários (ao contrário do que tinha imaginado, recortar formas na abóbora foi fácil. Pelo contrário, a faca desliza incontrolavelmente pela casca, e o difícil é fazê-la parar a tempo, como o observador mais atento reparará).
Et voilá o resultado.

Poderia agora dizer que gostei tanto da experiência que passei a adorar o Halloween, e vai ser ver-me a bater às portas da vizinhança na noite de 31 a pedir doçuras ou travessuras. Mas... não.
domingo, 24 de outubro de 2010
Ajudem-me Que Eu Não Estou Preparada Para Isto
Ontem depois do almoço fui ao café, e o Lucas quis vir comigo.
Saímos de casa e, ao descer a rua, vimos uma menina sentada no parapeito de uma montra, à espera de alguém. Devia ter mais ou menos a idade do Lucas.
Olharam-se os dois demoradamente, para o Lucas passar logo a fingir que não a via. Só que não quis passar à frente dela, e foi dar a volta por trás de uns carros. Entretanto eu passei, continuei a andar, e eis senão quando ouço assobiar. Parei. Estaria a ouvir bem? Sim. Outro assobio. E eram assobios que não deixavam margem para dúvidas. Daqueles de fui fuiu.
Olho para trás e lá vem o Lucas, com cara de quem não sabe onde se meter, e a gajinha sentada continuava a assobiar para ele. Quando reparou que eu estava a ver, começou a olhar para o ar como se não fosse nada com ela.
Inspira. Expira.
Eu, grande defensora da emancipação das mulheres, estou deveras chocada.
Será que já está na altura de falar sobre as abelhas e o pólen? Confesso que não esperava que fosse já.
Saímos de casa e, ao descer a rua, vimos uma menina sentada no parapeito de uma montra, à espera de alguém. Devia ter mais ou menos a idade do Lucas.
Olharam-se os dois demoradamente, para o Lucas passar logo a fingir que não a via. Só que não quis passar à frente dela, e foi dar a volta por trás de uns carros. Entretanto eu passei, continuei a andar, e eis senão quando ouço assobiar. Parei. Estaria a ouvir bem? Sim. Outro assobio. E eram assobios que não deixavam margem para dúvidas. Daqueles de fui fuiu.
Olho para trás e lá vem o Lucas, com cara de quem não sabe onde se meter, e a gajinha sentada continuava a assobiar para ele. Quando reparou que eu estava a ver, começou a olhar para o ar como se não fosse nada com ela.
Inspira. Expira.
Eu, grande defensora da emancipação das mulheres, estou deveras chocada.
Será que já está na altura de falar sobre as abelhas e o pólen? Confesso que não esperava que fosse já.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Coisas do Lucas 32
À mesa do pequeno almoço, estudando o pacote verde à sua frente:
- Mãe, se bebermos deste leite ficamos meio gordos?
(Já há muito tempo que o Lucas vem tentando juntar as letras e adoro a nova sonoridade que ele consegue dar às palavras, antes de conseguir perceber de que palavra se trata e a pronunciar correctamente. Além de todo um mundo de novas interpretações. Isto promete.)
- Mãe, se bebermos deste leite ficamos meio gordos?
(Já há muito tempo que o Lucas vem tentando juntar as letras e adoro a nova sonoridade que ele consegue dar às palavras, antes de conseguir perceber de que palavra se trata e a pronunciar correctamente. Além de todo um mundo de novas interpretações. Isto promete.)
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
EAT PRAY LOVE
Conhecem a sensação de ter lido e gostado muito de um livro e depois verem o filme e ficarem desiludidos?
Pois. Não foi assim. Mas de certa maneira, foi.
Passo a explicar.
Um filme fica quase sempre aquém de um bom livro, talvez porque não corresponde ao que imaginámos (não pode) e raramente consegue superá-lo. Um (bom) livro acompanha-nos durante dias, semanas, meses. Lemos, imaginamos, trabalhamos, remoemos, conotamos conforme o que se passa naquele momento na nossa própria vida. Temos detalhes e mais detalhes e vamos crescendo com a história, enchendo-nos dela, especulando, bocejando, desesperando.
E um filme... é uma viagem de, quando muito, cerca de duas horas, que não deixa muito espaço para imaginar.
Este é o livro que qualquer mulher quer ler, por uma simples razão: conta a história de uma mulher que se liberta de uma vida que a asfixia e vai. Vira a mesa. Voa. Carrega na pausa e o play segue noutros lugares, noutras dimensões, a outros ritmos. Sozinha, sem ninguém para a amparar, sem ninguém para a moldar. Nada a provar a ninguém. À procura de si própria. E o melhor de tudo: é uma história real.
Não que todas nós estejamos desertas por deixar tudo para trás e ir atrás de outras experiências, mas confessem: quem não imagina, de vez em quando, um "e se a minha vida fosse diferente?"
Vale a pena ver, nem que seja pelas imagens da Índia e pelas paisagens da Indonésia (e pelo guarda-roupa da Julia Roberts - autsch). E para ir comer pasta a seguir.
Mas... leiam primeiro o livro.
Pois. Não foi assim. Mas de certa maneira, foi.
Passo a explicar.
Um filme fica quase sempre aquém de um bom livro, talvez porque não corresponde ao que imaginámos (não pode) e raramente consegue superá-lo. Um (bom) livro acompanha-nos durante dias, semanas, meses. Lemos, imaginamos, trabalhamos, remoemos, conotamos conforme o que se passa naquele momento na nossa própria vida. Temos detalhes e mais detalhes e vamos crescendo com a história, enchendo-nos dela, especulando, bocejando, desesperando.
E um filme... é uma viagem de, quando muito, cerca de duas horas, que não deixa muito espaço para imaginar.
Este é o livro que qualquer mulher quer ler, por uma simples razão: conta a história de uma mulher que se liberta de uma vida que a asfixia e vai. Vira a mesa. Voa. Carrega na pausa e o play segue noutros lugares, noutras dimensões, a outros ritmos. Sozinha, sem ninguém para a amparar, sem ninguém para a moldar. Nada a provar a ninguém. À procura de si própria. E o melhor de tudo: é uma história real.
Não que todas nós estejamos desertas por deixar tudo para trás e ir atrás de outras experiências, mas confessem: quem não imagina, de vez em quando, um "e se a minha vida fosse diferente?"
Vale a pena ver, nem que seja pelas imagens da Índia e pelas paisagens da Indonésia (e pelo guarda-roupa da Julia Roberts - autsch). E para ir comer pasta a seguir.
Mas... leiam primeiro o livro.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Waffles ou O Alcance de Uma Batedeira Comum na Velocidade 2

Por que é que, nos livros e nos filmes, mães e filhos vão para a cozinha às gargalhadas e passam momentos de qualidade em família preparando iguarias juntos?
Por que é que, nos livros e nos filmes, as mães se riem dos seus filhotes marotos que metem os dedos, as mãos, os braços, a roupa na massa do bolo, por que é que os deixam partir os ovos e acham todos imensa piada quando um cai ao chão? ups! que giro!
Por que é que, nos livros e nos filmes, os meninos, depois de misturarem o açúcar com a manteiga e os ovos, não apontam com a batedeira para o tecto e a ligam na velocidade máxima?
Just wondering.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
A vida é bela
Quando se atravessa uma paisagem deserta ao por do sol com esta música bem alta no carro.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
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