Este meu filho continua a desarmar-me, dengoso, agora com conversas novas que só pode ter ouvido no infantário e com que me presenteia entre mimos e abraços:
- Mãe, és uma linda pinchesa. És a pinchesa com uma saia. És a Banca de Neve. E eu sou o pínchepe. E depois vais-me buscar à minha escola e vamos casar, okay?
domingo, 21 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Sebastião
Quando, na minha idade, nos aparece inesperadamente no caminho uma amiga, uma amiga do coração, escaldadas que estamos pela vida, até desconfiamos. Mas depois o tempo vai passando e coisas vão-se vivendo e momentos vão-se partilhando e a certa altura parece que essa amiga sempre esteve lá.
E agora dou por mim emocionada e imensamente feliz por ter podido partilhar com a minha amiga a chegada do Sebastião, por ter visto uma barriga crescer e por poder ter ido a correr conhecê-lo quando, cheio de pressa, resolveu nascer.
Desejo ao Sebastião uma vida cheia de alegria.
Reinhard Mey - Mein Apfelbäumchen
Adenda:
Quando o meu primeiro filho nasceu, a minha amiga Annika enviou-me um cd com esta canção pelo correio. E eu, uma mãe de primeira viagem com um recém-nascido nos braços, enterrada até ao pescoço nos sentimentos avassaladores que só conhece quem segura no colo um filho acabado de nascer, chorava lágrimas de felicidade ao ouvi-la, porque ela conseguia por em palavras tudo o que eu sentia. Peço desculpa aos não-falantes desta língua germânica, mas é a canção mais bonita que eu conheço. E agora dedico-a à Sara e ao Sebastião.
E agora dou por mim emocionada e imensamente feliz por ter podido partilhar com a minha amiga a chegada do Sebastião, por ter visto uma barriga crescer e por poder ter ido a correr conhecê-lo quando, cheio de pressa, resolveu nascer.
Desejo ao Sebastião uma vida cheia de alegria.
Reinhard Mey - Mein Apfelbäumchen
Adenda:
Quando o meu primeiro filho nasceu, a minha amiga Annika enviou-me um cd com esta canção pelo correio. E eu, uma mãe de primeira viagem com um recém-nascido nos braços, enterrada até ao pescoço nos sentimentos avassaladores que só conhece quem segura no colo um filho acabado de nascer, chorava lágrimas de felicidade ao ouvi-la, porque ela conseguia por em palavras tudo o que eu sentia. Peço desculpa aos não-falantes desta língua germânica, mas é a canção mais bonita que eu conheço. E agora dedico-a à Sara e ao Sebastião.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
As conversas do Manuel 4
Ontem na escola houve teatro de sombras chinesas. A história do S. Martinho.
Quando fui buscar o Manuel, a caminho do carro, pedi-lhe para me contar como foi.
Então foi assim:
- Estava ali um pobelito, e o S. Matinho patiu a sua capa e comelam o pão e comelam a maçã e depois veio o sol.
:)
Quando fui buscar o Manuel, a caminho do carro, pedi-lhe para me contar como foi.
Então foi assim:
- Estava ali um pobelito, e o S. Matinho patiu a sua capa e comelam o pão e comelam a maçã e depois veio o sol.
:)
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
:)
Hoje fiz sopa de couve coração, enquanto o meu coração estava na Maternidade Alfredo da Costa, com a Elisa, a menina dos muitos nomes a quem devo tanto.
Entretanto liguei para lá e soube que nasceu o seu tão desejado menino.
Parto normal, como ela tanto queria.
É sempre com emoção que recebo estas notícias.
Parabéns e uma vida feliz...
Entretanto liguei para lá e soube que nasceu o seu tão desejado menino.
Parto normal, como ela tanto queria.
É sempre com emoção que recebo estas notícias.
Parabéns e uma vida feliz...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Coisas do Lucas 33
Quase 9 da manhã na garagem, no auge do "vá, despacha-te" matinal, enquanto entramos para o carro mais as nossas 300000 malas e sacos, a correr para ir para a escola e para o trabalho, o Lucas, como sempre, não se deixa afectar pelo meu stress:
- Mãe, eu não sou os meus pés, nem as minhas mãos, nem o meu corpo, eu só os mexo. Eu sou só movimento.
- Ah...
- Ah...
Ainda estou a tentar encaixar esta.
Acho que o Lucas só não me diz que não é possível banharmo-nos duas vezes nas águas do mesmo rio, porque não temos o hábito de nos banhar em rios.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Halloween
Não sou mesmo nada fã da importação de tradições. Por isso, quando no infantário do Manuel pediram para trazer uma abóbora para festejar o Halloween, torci o nariz e só não me recusei porque não quis ser o chamado party-pooper.
Pelo que, depois de ter encomendado uma abóbora na frutaria, eis que hoje ao serão me entreguei à estimulante actividade de preparar a dita cuja, o que consistiu de 1. cortar uma tampa na abóbora, 2. retirar fios e sementes, 3. retirar do interior todo o recheio que conseguisse, para ao menos aproveitar e fazer uma sopa (entusiasmei-me nesta parte e fiz-lhe um buraco em baixo, mas ninguém vê).
Devo mencionar neste ponto que sou uma grande azelha com facas, pelo que a execução destas tarefas equivaleu para mim mais ou menos a uma iniciação ao trapezismo, mas sem rede.
Não precisam, porém, de temer pela minha integridade física. Concluí o processo sem danos de maior, excepto para a abóbora, que sofreu uns cortes desnecessários (ao contrário do que tinha imaginado, recortar formas na abóbora foi fácil. Pelo contrário, a faca desliza incontrolavelmente pela casca, e o difícil é fazê-la parar a tempo, como o observador mais atento reparará).
Et voilá o resultado.

Poderia agora dizer que gostei tanto da experiência que passei a adorar o Halloween, e vai ser ver-me a bater às portas da vizinhança na noite de 31 a pedir doçuras ou travessuras. Mas... não.
Pelo que, depois de ter encomendado uma abóbora na frutaria, eis que hoje ao serão me entreguei à estimulante actividade de preparar a dita cuja, o que consistiu de 1. cortar uma tampa na abóbora, 2. retirar fios e sementes, 3. retirar do interior todo o recheio que conseguisse, para ao menos aproveitar e fazer uma sopa (entusiasmei-me nesta parte e fiz-lhe um buraco em baixo, mas ninguém vê).
Devo mencionar neste ponto que sou uma grande azelha com facas, pelo que a execução destas tarefas equivaleu para mim mais ou menos a uma iniciação ao trapezismo, mas sem rede.
Não precisam, porém, de temer pela minha integridade física. Concluí o processo sem danos de maior, excepto para a abóbora, que sofreu uns cortes desnecessários (ao contrário do que tinha imaginado, recortar formas na abóbora foi fácil. Pelo contrário, a faca desliza incontrolavelmente pela casca, e o difícil é fazê-la parar a tempo, como o observador mais atento reparará).
Et voilá o resultado.

Poderia agora dizer que gostei tanto da experiência que passei a adorar o Halloween, e vai ser ver-me a bater às portas da vizinhança na noite de 31 a pedir doçuras ou travessuras. Mas... não.
domingo, 24 de outubro de 2010
Ajudem-me Que Eu Não Estou Preparada Para Isto
Ontem depois do almoço fui ao café, e o Lucas quis vir comigo.
Saímos de casa e, ao descer a rua, vimos uma menina sentada no parapeito de uma montra, à espera de alguém. Devia ter mais ou menos a idade do Lucas.
Olharam-se os dois demoradamente, para o Lucas passar logo a fingir que não a via. Só que não quis passar à frente dela, e foi dar a volta por trás de uns carros. Entretanto eu passei, continuei a andar, e eis senão quando ouço assobiar. Parei. Estaria a ouvir bem? Sim. Outro assobio. E eram assobios que não deixavam margem para dúvidas. Daqueles de fui fuiu.
Olho para trás e lá vem o Lucas, com cara de quem não sabe onde se meter, e a gajinha sentada continuava a assobiar para ele. Quando reparou que eu estava a ver, começou a olhar para o ar como se não fosse nada com ela.
Inspira. Expira.
Eu, grande defensora da emancipação das mulheres, estou deveras chocada.
Será que já está na altura de falar sobre as abelhas e o pólen? Confesso que não esperava que fosse já.
Saímos de casa e, ao descer a rua, vimos uma menina sentada no parapeito de uma montra, à espera de alguém. Devia ter mais ou menos a idade do Lucas.
Olharam-se os dois demoradamente, para o Lucas passar logo a fingir que não a via. Só que não quis passar à frente dela, e foi dar a volta por trás de uns carros. Entretanto eu passei, continuei a andar, e eis senão quando ouço assobiar. Parei. Estaria a ouvir bem? Sim. Outro assobio. E eram assobios que não deixavam margem para dúvidas. Daqueles de fui fuiu.
Olho para trás e lá vem o Lucas, com cara de quem não sabe onde se meter, e a gajinha sentada continuava a assobiar para ele. Quando reparou que eu estava a ver, começou a olhar para o ar como se não fosse nada com ela.
Inspira. Expira.
Eu, grande defensora da emancipação das mulheres, estou deveras chocada.
Será que já está na altura de falar sobre as abelhas e o pólen? Confesso que não esperava que fosse já.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Coisas do Lucas 32
À mesa do pequeno almoço, estudando o pacote verde à sua frente:
- Mãe, se bebermos deste leite ficamos meio gordos?
(Já há muito tempo que o Lucas vem tentando juntar as letras e adoro a nova sonoridade que ele consegue dar às palavras, antes de conseguir perceber de que palavra se trata e a pronunciar correctamente. Além de todo um mundo de novas interpretações. Isto promete.)
- Mãe, se bebermos deste leite ficamos meio gordos?
(Já há muito tempo que o Lucas vem tentando juntar as letras e adoro a nova sonoridade que ele consegue dar às palavras, antes de conseguir perceber de que palavra se trata e a pronunciar correctamente. Além de todo um mundo de novas interpretações. Isto promete.)
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
EAT PRAY LOVE
Conhecem a sensação de ter lido e gostado muito de um livro e depois verem o filme e ficarem desiludidos?
Pois. Não foi assim. Mas de certa maneira, foi.
Passo a explicar.
Um filme fica quase sempre aquém de um bom livro, talvez porque não corresponde ao que imaginámos (não pode) e raramente consegue superá-lo. Um (bom) livro acompanha-nos durante dias, semanas, meses. Lemos, imaginamos, trabalhamos, remoemos, conotamos conforme o que se passa naquele momento na nossa própria vida. Temos detalhes e mais detalhes e vamos crescendo com a história, enchendo-nos dela, especulando, bocejando, desesperando.
E um filme... é uma viagem de, quando muito, cerca de duas horas, que não deixa muito espaço para imaginar.
Este é o livro que qualquer mulher quer ler, por uma simples razão: conta a história de uma mulher que se liberta de uma vida que a asfixia e vai. Vira a mesa. Voa. Carrega na pausa e o play segue noutros lugares, noutras dimensões, a outros ritmos. Sozinha, sem ninguém para a amparar, sem ninguém para a moldar. Nada a provar a ninguém. À procura de si própria. E o melhor de tudo: é uma história real.
Não que todas nós estejamos desertas por deixar tudo para trás e ir atrás de outras experiências, mas confessem: quem não imagina, de vez em quando, um "e se a minha vida fosse diferente?"
Vale a pena ver, nem que seja pelas imagens da Índia e pelas paisagens da Indonésia (e pelo guarda-roupa da Julia Roberts - autsch). E para ir comer pasta a seguir.
Mas... leiam primeiro o livro.
Pois. Não foi assim. Mas de certa maneira, foi.
Passo a explicar.
Um filme fica quase sempre aquém de um bom livro, talvez porque não corresponde ao que imaginámos (não pode) e raramente consegue superá-lo. Um (bom) livro acompanha-nos durante dias, semanas, meses. Lemos, imaginamos, trabalhamos, remoemos, conotamos conforme o que se passa naquele momento na nossa própria vida. Temos detalhes e mais detalhes e vamos crescendo com a história, enchendo-nos dela, especulando, bocejando, desesperando.
E um filme... é uma viagem de, quando muito, cerca de duas horas, que não deixa muito espaço para imaginar.
Este é o livro que qualquer mulher quer ler, por uma simples razão: conta a história de uma mulher que se liberta de uma vida que a asfixia e vai. Vira a mesa. Voa. Carrega na pausa e o play segue noutros lugares, noutras dimensões, a outros ritmos. Sozinha, sem ninguém para a amparar, sem ninguém para a moldar. Nada a provar a ninguém. À procura de si própria. E o melhor de tudo: é uma história real.
Não que todas nós estejamos desertas por deixar tudo para trás e ir atrás de outras experiências, mas confessem: quem não imagina, de vez em quando, um "e se a minha vida fosse diferente?"
Vale a pena ver, nem que seja pelas imagens da Índia e pelas paisagens da Indonésia (e pelo guarda-roupa da Julia Roberts - autsch). E para ir comer pasta a seguir.
Mas... leiam primeiro o livro.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Waffles ou O Alcance de Uma Batedeira Comum na Velocidade 2

Por que é que, nos livros e nos filmes, mães e filhos vão para a cozinha às gargalhadas e passam momentos de qualidade em família preparando iguarias juntos?
Por que é que, nos livros e nos filmes, as mães se riem dos seus filhotes marotos que metem os dedos, as mãos, os braços, a roupa na massa do bolo, por que é que os deixam partir os ovos e acham todos imensa piada quando um cai ao chão? ups! que giro!
Por que é que, nos livros e nos filmes, os meninos, depois de misturarem o açúcar com a manteiga e os ovos, não apontam com a batedeira para o tecto e a ligam na velocidade máxima?
Just wondering.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
A vida é bela
Quando se atravessa uma paisagem deserta ao por do sol com esta música bem alta no carro.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Coisas do Lucas 31
Em plena praia, passa diante de nós uma senhora dos seus 70 anos, deveras avantajada, num fato-de-banho gigante de padrão tigrado.
O Lucas olha, fascinado.
- Iiiina mãe! Aquela está vestida à Tarzan!
O Lucas olha, fascinado.
- Iiiina mãe! Aquela está vestida à Tarzan!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Podia estar a correr melhor
Pois é.
Os meus receios estão a tornar-se realidade. Podem dizer-me que ah eu é que estava muito ansiosa e passei a tensão para ele, mas não me parece. Tenho praticado o reforço positivo em todas as variantes que me ocorrem até à exaustão, mas não está a funcionar. Vamos na segunda semana de aulas e o Lucas não quer ir para a escola.
Agarra-se a mim e chora baixinho. "Gosto tanto de ti, quero ficar contigo, fica aqui ao pé de mim, não quero que te vás embora, passo o dia a pensar em ti". Como lidar com isto?
Hipótese 1: é só agora ao início, ele depois habitua-se.
Argumentos meus: já é o terceiro ano do Lucas nesta escola, uma vez que fez dois anos de pré. Nem no primeiro ano fez fita para ir. Conhece quase todos os meninos e sempre se sentiu bem lá.
Hipótese 2: o meu gajinho quer é liberdade, andar a jogar à bola e a brincar. Pois. Parece-me que é mais isso. Na pré não notava tanto o ter de estar sentado a trabalhar, porque havia sempre brincadeira pelo meio.
Argumentos meus: tem mesmo que ser assim? Será que não é possível fazer a escola apetecível para as crianças? Eles que estão ávidos de aprender e de experimentar coisas novas? Custa-me tanto que uma criança de 6 anos já ache que a escola é uma seca. E não quero responsabilizar ninguém, até porque tenho muita esperança que a atitude dele venha a mudar em breve.
Até lá, fico a matutar nesta facada no coração, desculpem, frases que trocámos hoje de manhã no caminho para a escola:
- Mamã, gosto tanto de ti que não acaba nunca.
- Eu também filho.
- Então se gostas de mim, porque é que me levas para a escola e ficas o dia inteiro sem me ver?
Sim, como explicar-lhe isto se nem eu percebo esta lógica de passarmos os dias, as semanas, a vida longe daqueles que são mais importantes para nós?
Rai's parta a civilização.
Os meus receios estão a tornar-se realidade. Podem dizer-me que ah eu é que estava muito ansiosa e passei a tensão para ele, mas não me parece. Tenho praticado o reforço positivo em todas as variantes que me ocorrem até à exaustão, mas não está a funcionar. Vamos na segunda semana de aulas e o Lucas não quer ir para a escola.
Agarra-se a mim e chora baixinho. "Gosto tanto de ti, quero ficar contigo, fica aqui ao pé de mim, não quero que te vás embora, passo o dia a pensar em ti". Como lidar com isto?
Hipótese 1: é só agora ao início, ele depois habitua-se.
Argumentos meus: já é o terceiro ano do Lucas nesta escola, uma vez que fez dois anos de pré. Nem no primeiro ano fez fita para ir. Conhece quase todos os meninos e sempre se sentiu bem lá.
Hipótese 2: o meu gajinho quer é liberdade, andar a jogar à bola e a brincar. Pois. Parece-me que é mais isso. Na pré não notava tanto o ter de estar sentado a trabalhar, porque havia sempre brincadeira pelo meio.
Argumentos meus: tem mesmo que ser assim? Será que não é possível fazer a escola apetecível para as crianças? Eles que estão ávidos de aprender e de experimentar coisas novas? Custa-me tanto que uma criança de 6 anos já ache que a escola é uma seca. E não quero responsabilizar ninguém, até porque tenho muita esperança que a atitude dele venha a mudar em breve.
Até lá, fico a matutar nesta facada no coração, desculpem, frases que trocámos hoje de manhã no caminho para a escola:
- Mamã, gosto tanto de ti que não acaba nunca.
- Eu também filho.
- Então se gostas de mim, porque é que me levas para a escola e ficas o dia inteiro sem me ver?
Sim, como explicar-lhe isto se nem eu percebo esta lógica de passarmos os dias, as semanas, a vida longe daqueles que são mais importantes para nós?
Rai's parta a civilização.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Volver
Voltar das férias, voltar ao trabalho, voltar à escola.
Voltar a meter os fatos de banho nas gavetas, voltar a desfazer as malas.
Voltar a ter que levantar cedo, voltar à loucura das manhãs, voltar a vê-lo subir a rua para a escola e pensar que gostava era de passar o dia com ele.
Desta vez, vai de mochila às costas, para o primeiro ano, o meu menino.
Vejo-o sentado na sala, rodeado de muitos outros rostos entre o assustado e o expectante, e dá-me assim uma nostalgia imensa. Vai correr bem.quarta-feira, 28 de julho de 2010
Dia dos Avós
Por uma feliz coincidência, a escola do Lucas esteve fechada na segunda-feira, o que fez com que ele fosse com o Manuel para casa dos avós. (Teria ido de qualquer modo.)
Assim, tiveram ambos a sorte de passar o Dia dos Avós com os próprios.
Sou grata pelos avós que os meus filhos têm de uma maneira que não consigo explicar.
Os meus pais dedicam-se aos meus filhos de um modo que jamais poderei agradecer. Dedicam-lhes tanto de si, tanto amor, tanto tempo, tanta alegria. É o melhor património que neste momento podem partilhar e a que uma criança pode ser exposta.
Li algures há pouco tempo que os netos são filhos com açúcar. Acho que também posso dizer que os avós são pais com açúcar. A minha mãe é uma mãe com muito açúcar para os meus filhos. Tem uma meiguice e uma paciência invejáveis e sabe levá-los bem melhor que eu (mãe explosiva de pavio curto), sem ser demasiado permissiva. E o meu pai, que às vezes me parece zangado com a vida, brinca às escondidas com o neto mais novo com o maior dos entusiasmos.
De cada vez que os vejo juntos sinto o coração inchar de alegria por termos todos esta oportunidade tão valiosa de enriquecimento mútuo.
E, já que estou numa de agradecimento ao universo, não posso deixar de falar na enorme dádiva que é, aos 36 anos, eu própria ainda ter um avô, um homem extraordinário e de uma lealdade infinita, por um lado severo, mas que sempre se comoveu com os netos e, agora, de uma forma muito especial, com os bisnetos. Agradeço que os meus filhos tenham também um bisavô na vida deles, ainda que não se vejam tantas vezes como eu gostaria.
E depois... ficará para sempre a questão: por que é que perdi tão cedo a minha avó materna, da qual tenho apenas recordações tão vagas?
Sinto uma falta imensa por não ter conhecido mais e crescido com a mãe da minha mãe e sua melhor amiga. E tudo o que ouço sobre ela faz este sentimento de falta crescer ainda mais. Uma mulher tão admirada e estimada que ainda hoje, mais de trinta anos depois de nos ter deixado, repentina e inesperadamente, numa véspera de Natal, as pessoas que a conheceram me vêm falar dela e de como era especial. Tenho a certeza de que teríamos sido também grandes amigas. E sei que ela teria sido a minha mãe com açúcar.
...
Viva os avós. Obrigada aos avós. Sem eles o equilíbrio das famílias seria infinitamente mais frágil.
Assim, tiveram ambos a sorte de passar o Dia dos Avós com os próprios.
Sou grata pelos avós que os meus filhos têm de uma maneira que não consigo explicar.
Os meus pais dedicam-se aos meus filhos de um modo que jamais poderei agradecer. Dedicam-lhes tanto de si, tanto amor, tanto tempo, tanta alegria. É o melhor património que neste momento podem partilhar e a que uma criança pode ser exposta.
Li algures há pouco tempo que os netos são filhos com açúcar. Acho que também posso dizer que os avós são pais com açúcar. A minha mãe é uma mãe com muito açúcar para os meus filhos. Tem uma meiguice e uma paciência invejáveis e sabe levá-los bem melhor que eu (mãe explosiva de pavio curto), sem ser demasiado permissiva. E o meu pai, que às vezes me parece zangado com a vida, brinca às escondidas com o neto mais novo com o maior dos entusiasmos.
De cada vez que os vejo juntos sinto o coração inchar de alegria por termos todos esta oportunidade tão valiosa de enriquecimento mútuo.
E, já que estou numa de agradecimento ao universo, não posso deixar de falar na enorme dádiva que é, aos 36 anos, eu própria ainda ter um avô, um homem extraordinário e de uma lealdade infinita, por um lado severo, mas que sempre se comoveu com os netos e, agora, de uma forma muito especial, com os bisnetos. Agradeço que os meus filhos tenham também um bisavô na vida deles, ainda que não se vejam tantas vezes como eu gostaria.
E depois... ficará para sempre a questão: por que é que perdi tão cedo a minha avó materna, da qual tenho apenas recordações tão vagas?
Sinto uma falta imensa por não ter conhecido mais e crescido com a mãe da minha mãe e sua melhor amiga. E tudo o que ouço sobre ela faz este sentimento de falta crescer ainda mais. Uma mulher tão admirada e estimada que ainda hoje, mais de trinta anos depois de nos ter deixado, repentina e inesperadamente, numa véspera de Natal, as pessoas que a conheceram me vêm falar dela e de como era especial. Tenho a certeza de que teríamos sido também grandes amigas. E sei que ela teria sido a minha mãe com açúcar.
...
Viva os avós. Obrigada aos avós. Sem eles o equilíbrio das famílias seria infinitamente mais frágil.
sábado, 24 de julho de 2010
Toma que é para aprenderes
Quase 10 da manhã e o Lucas ainda dorme. Como hoje fico em casa, deixo-o dormir. Às tantas acorda, bem disposto, e com olhos angelicais pede: Posso ficar em casa?
Tinha pensado em levá-lo para a escola umas horas, mas pronto. Tadinho. Eu em casa com o irmão e levo-o para a escola? Que mãe megera.
Fica em casa, e os dois brincam enquanto eu faço as mil coisas que tenho na lista, e eu toda contente por ter os meus meninos comigo e até faço tudo mais depressa.
Pois claro.
Mas não. Claro que não correu assim. Nunca corre, mas acho que faz parte da condição de mãe esta esquizofrenia de sentimentos.
Será desnecessário dizer que não brincaram harmoniosamente nem 5 minutos.
Que, quando estão juntos, só têm ideias levadas da breca.
Não vou entrar em detalhes sobre o quase-partido-candeeiro-de-lava no móvel da sala.
Também não vale a pena falar muito sobre o iogurte líquido entornado sobre metade da extensão do acabado-de-lavar-chão-da-cozinha. (Como fazer com que os sapatos deixem de se colar ao chão, mesmo após várias passagens com a esfregona? Anyone?)
Só queria contar que, ao fim do dia, sentei-me desgrenhada no sofá e enviei ao meu esposo a seguinte sms:
"O Lucas e o Manuel são meus filhos e amo-os muito. Mas, por favor, quando chegares a casa faz com que eu não dê por eles durante o resto do dia."
Tinha pensado em levá-lo para a escola umas horas, mas pronto. Tadinho. Eu em casa com o irmão e levo-o para a escola? Que mãe megera.
Fica em casa, e os dois brincam enquanto eu faço as mil coisas que tenho na lista, e eu toda contente por ter os meus meninos comigo e até faço tudo mais depressa.
Pois claro.
Mas não. Claro que não correu assim. Nunca corre, mas acho que faz parte da condição de mãe esta esquizofrenia de sentimentos.
Será desnecessário dizer que não brincaram harmoniosamente nem 5 minutos.
Que, quando estão juntos, só têm ideias levadas da breca.
Não vou entrar em detalhes sobre o quase-partido-candeeiro-de-lava no móvel da sala.
Também não vale a pena falar muito sobre o iogurte líquido entornado sobre metade da extensão do acabado-de-lavar-chão-da-cozinha. (Como fazer com que os sapatos deixem de se colar ao chão, mesmo após várias passagens com a esfregona? Anyone?)
Só queria contar que, ao fim do dia, sentei-me desgrenhada no sofá e enviei ao meu esposo a seguinte sms:
"O Lucas e o Manuel são meus filhos e amo-os muito. Mas, por favor, quando chegares a casa faz com que eu não dê por eles durante o resto do dia."
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Buraco no coração
Tal como no ano passado por esta altura, o Manuel foi de férias com os avós.
Quando retirámos do carro a cadeirinha para a colocar no carro do avô, ficaram no banco umas mossas, fruto de 2 anos de Manuel sentado, com o seu peso crescente. Com o passar dos dias e a ausência da cadeira, as mossas foram desaparecendo, e o banco voltou a estar como novo. Ao contrário de mim. Com o passar dos dias e a ausência do Manuel, as mossas no meu coração foram aumentando até se transformarem numa cratera, que tenho agora que contornar com cuidado, para não cair lá para dentro.
Quando retirámos do carro a cadeirinha para a colocar no carro do avô, ficaram no banco umas mossas, fruto de 2 anos de Manuel sentado, com o seu peso crescente. Com o passar dos dias e a ausência da cadeira, as mossas foram desaparecendo, e o banco voltou a estar como novo. Ao contrário de mim. Com o passar dos dias e a ausência do Manuel, as mossas no meu coração foram aumentando até se transformarem numa cratera, que tenho agora que contornar com cuidado, para não cair lá para dentro.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A perda do Self
No passado fim-de-semana estive com uma amiga de longa data. Era domingo, meio-dia e ela tinha acabado de se levantar. Não tem filhos, já se vê. Há quantos anos não durmo até ao meio-dia? Não quero contar. (7)
Fiquei a pensar. (medo)
Os filhos tiram-nos tanto. Queremos dormir mais um pouco - hahaha, perdão - queremos dormir a noite toda seguidinha e, nope, só se eles deixarem.
De manhã queremos sair de casa a horas, impossível.
Queremos manter a roupa pouco enxovalhada ou, vá, sem nódoas, antes de ir para o trabalho, ensinam-nos a cada manhã valores mais nobres que o aspecto físico.
Queremos passar o sábado de papo para o ar a ler, dão-nos com o martelo do Bob o Construtor na testa e obrigam-nos a dar corda aos sapatos.
Queremos tomar o pequeno almoço às tantas e só voltar a comer ao jantar, e lá vêm os sentimentos de culpa.
Queremos almoçar no restaurante indiano que abriu há pouco tempo aqui perto, mandam-nos plantar batatas com as novas experiências culinárias, que eles é que não abrem a boca para comer aquilo, e é ver chacuti de frango a voar pela sala.
Queremos sair com amigos, ir ao cinema, ir ao teatro, bezerrar em frente à televisão ou qualquer outra actividade mais ou menos interessante... mas não. Eles é que mandam.
Só que depois... (e avisa-se desde já a quem não tem filhos para se abster de fazer julgamentos sobre as próximas frases, do género ai que lamechice)
... olham para nós e falam-nos do planeta Pluto, que já não existe. Contam-nos que "uns astronautas foram lá e viram que já não dá para viver ali. Por isso o Pluto foi-se embora. É mesmo verdade!"
... ou então adormecem ao nosso lado com a cara colada à nossa e transmitem-nos a melhor sensação do mundo porque mostram que tudo está bem só porque estamos ali.
... ou então vamos pela rua e sentimos aquelas mãozitas, tão pequenas mas que enchem as nossas, dizendo-nos que estão prontos para ir connosco para todo o lado e para nos mostrar detalhes no caminho que não veríamos sem eles.
... vêm a correr para nós quando os vamos buscar à tarde como se fossemos a pessoa mais importante do mundo, porque somos a pessoa mais importante do seu mundo.
... mostram-nos que o probleminha que nos estava a chatear afinal é tão insignificante ao lado de uma gargalhada, de um abraço, de um olhar de cumplicidade.
Os filhos tiram-nos tanto... tiram-nos quase tudo o que achávamos que era essencial, para depois nos retribuirem com tão mais do que é, mesmo, invisível aos olhos.
Fiquei a pensar. (medo)
Os filhos tiram-nos tanto. Queremos dormir mais um pouco - hahaha, perdão - queremos dormir a noite toda seguidinha e, nope, só se eles deixarem.
De manhã queremos sair de casa a horas, impossível.
Queremos manter a roupa pouco enxovalhada ou, vá, sem nódoas, antes de ir para o trabalho, ensinam-nos a cada manhã valores mais nobres que o aspecto físico.
Queremos passar o sábado de papo para o ar a ler, dão-nos com o martelo do Bob o Construtor na testa e obrigam-nos a dar corda aos sapatos.
Queremos tomar o pequeno almoço às tantas e só voltar a comer ao jantar, e lá vêm os sentimentos de culpa.
Queremos almoçar no restaurante indiano que abriu há pouco tempo aqui perto, mandam-nos plantar batatas com as novas experiências culinárias, que eles é que não abrem a boca para comer aquilo, e é ver chacuti de frango a voar pela sala.
Queremos sair com amigos, ir ao cinema, ir ao teatro, bezerrar em frente à televisão ou qualquer outra actividade mais ou menos interessante... mas não. Eles é que mandam.
Só que depois... (e avisa-se desde já a quem não tem filhos para se abster de fazer julgamentos sobre as próximas frases, do género ai que lamechice)
... olham para nós e falam-nos do planeta Pluto, que já não existe. Contam-nos que "uns astronautas foram lá e viram que já não dá para viver ali. Por isso o Pluto foi-se embora. É mesmo verdade!"
... ou então adormecem ao nosso lado com a cara colada à nossa e transmitem-nos a melhor sensação do mundo porque mostram que tudo está bem só porque estamos ali.
... ou então vamos pela rua e sentimos aquelas mãozitas, tão pequenas mas que enchem as nossas, dizendo-nos que estão prontos para ir connosco para todo o lado e para nos mostrar detalhes no caminho que não veríamos sem eles.
... vêm a correr para nós quando os vamos buscar à tarde como se fossemos a pessoa mais importante do mundo, porque somos a pessoa mais importante do seu mundo.
... mostram-nos que o probleminha que nos estava a chatear afinal é tão insignificante ao lado de uma gargalhada, de um abraço, de um olhar de cumplicidade.
Os filhos tiram-nos tanto... tiram-nos quase tudo o que achávamos que era essencial, para depois nos retribuirem com tão mais do que é, mesmo, invisível aos olhos.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Coisas do Lucas 29
8 da manhã. O Lucas prepara-se para ir para a escola. Diz-me que é hoje o torneio contra os meninos do primeiro ano, enquanto veste uns calções de futebol. Calça as meias mais compridas que encontra na gaveta e estica-as o mais que pode. As danadas, porém, não ficam nos joelhos e insistem em escorregar pelas canelas abaixo. Depois de as puxar furiosamente para cima umas quantas vezes, o Lucas irrita-se, mas logo encontra uma solução.
- Ó mãe, traz-me aí a cola.
- Ó mãe, traz-me aí a cola.
Subscrever:
Mensagens (Atom)